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Bionanotecnologia – Cyber Sapiens?

Ontem vi essa matéria – a versão ainda não corrigida – e fiquei meio chocada. Não porque afirmava que o Homem vai virar Deus mas porque em um segundo me passou pela cabeça que talvez seja demais.

Talvez ainda esteja viva para assistir a essas tecnologias entrando nas nossas vidas, talvez ainda tenha que implantar um chip na cabeça para conseguir acompanhar o mundo. Embora seja a favor dos avanços científicos e de tecnologia, etc, me pergunto onde vai parar?

Cyber Sapiens, essa vai ser a designação da nossa espécie.

“No artigo publicado na edição de 8 de Março algumas afirmações do investigador Filipe Luig surgiram fora de contexto. Veja aqui a versão corrigida pelo especialista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

O texto corrigido surge assinalado a bold.

A afirmação está descontextualizada. A título de comparação, para demonstrar o impacto futuro da nanotecnologia, lembrei a assistência dos títulos dos jornais nos anos 80 e 90 quando a engenharia genética e posteriormente com a clonagem, era frequente ler afirmações do género “Man is playing God”. Sendo a nanotecnologia a manipulação atómica e sabendo que tudo é feito de átomos e com base no actual progresso exponencial podemos imaginar um cenário futuro em que certamente a haver jornais, os títulos seriam mais do género “Man is God”. Afirmar isto não é afirmar que a nanotecnologia nos vai transformar em deuses. É apenas uma analogia entre o impacto causado pela manipulação genética com o possível impacto causado por uma manipulação atómica que será claramente mais abrangente e determinante que a anterior.

Quem o assume ao DN é Filipe Luig, investigador da área da bionanotecnologia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), e que trabalha actualmente no fabrico de nano-sensores constituídos por silício e ADN.

O encontro decorreu à margem das X Jornadas de Análises Clínicas e Saúde Pública, que decorreram na sexta-feira e sábado na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, onde o cientista foi falar sobre a sua investigação na área.

A nanotecnologia é a exploração quântica da matéria que pretende a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos. No futuro, quando esta tecnologia estiver dominada pelo homem, tudo poderá ser feito, pois tudo é feito de átomos. “Poderá criar-se vida a partir de moléculas de água e ar”, complementa Filipe Luig.

Não faço a mínima ideia se se pode ou não vir a sintetizar vida a partir de moléculas de água e ar. As moléculas de água e de ar têm a ver com o vídeo/documentário de animação computarizada em que inicialmente se introduz ar e água e no final da ?nanofactory? sai um computador. É um clip demonstrativo e de futurologia disponível na net no Google sob a designação nanofactory.

Foi o Prémio Nobel da Física de 1965, Richard D. Feynman, que pela primeira vez introduziu este conceito. A 29 de Dezembro de 1959, numa palestra dada no encontro anual da Sociedade Americana de Física, defendeu a hipótese de não existirem quaisquer obstáculos teóricos à construção de pequenos dispositivos compostos por elementos muito pequenos, os átomos. O investigador da FCT-UNL acredita que no futuro tudo será feito com a mesma base que os seres humanos: “Os nano-computadores serão construídos com ADN, como os humanos.”

Para ajudar à evolução, estão as condicionantes que se atravessam na investigação informática. “Estamos a chegar ao limite da miniaturização dos chips de silício, usados nos computadores. Prevê-se que, daqui a 10 anos, iremos precisar de uma alternativa ao silício. Essa alternativa será o ADN”, explica o investigador.

Estes nano-computadores irão fazer tudo o que os actuais fazem, com a respectiva evolução. Enquanto que, actualmente, a informação é transportada por electrões e transístores para a processar, será o ADN a encarregar-se desses processos. O avanço será tal que irá obrigar o Homem a tornar-se biónico. “Os processadores dos computadores irão ser tão rápidos e com tal capacidade que teremos de implantar chips biónicos no cérebro para que este consiga acompanhar a velocidade de processamento da máquina”, diz Filipe Luig, fundamentado numa profecia feita em 1995, pelo presidente da Intel, Gordon E. Moore.

Não sei quem é o presidente da Intel. G Moore, foi co-fundador da Intel e nos anos sessenta, como disse na palestra, fez uma curva, hoje chamada de Lei de Moore. Essa curva foi projectada a pedido da     IBM para saber se do ponto de vista económico valia a pena investir em chips de silício. G Moore fez a curva para os seguintes dez-vinte anos, penso. Mas já mais recentemente outros investigadores de inteligência artificial como o Ray Kurzweil, extrapolaram sobre essa mesma curva e afirmam ser possível a inteligência artificial vir a atingir a capacidade de processamento do cérebro humano nos próximos 20 anos já que a Lei de Moore hoje se mantém verdadeira e aplicável.

Em 1995, relativamente à tal profecia ou profecias, foram pedidas umas previsões para o surgimento dos primeiros grandes paradigmas da nanotech como aplicações comerciais, como o eventual nano-assembler, como os nanocomputadores etc… mas nenhum deles era G Moore. Eles eram Brenner (especialista em nanotubos de carbono), Smalley (Nobel por ter co-descoberto o Carbono 60 / Buckyballs), E. Drexler etc..

Junto a tabela que apresentei relativamente à qual comentei que eventualmente fazendo uma recta dos mínimos quadrados para as previsões de todos estes autores será expectável obter uma aproximação mais real.

                              Birge      Brenner    Drexler     Hall         Smalley
nano-assembler:   2005      2025         2015         2010      2000

nano-computador: 2040     2040          2017         2010     2100

reparação celular: 2030     2035          2018         2050     2010

produto comercial: 2002    2000          2015         2005     2000

leis-nanotech:        1998    2036          2015         1995     2000

“A Lei de Moore diz-nos que a capacidade de processamento dos chips duplica a cada 18 meses e estes diminuem de tamanho na ordem inversa.”

Aliás, “prevendo a evolução da humanidade ao ritmo que actualmente temos, nos 90 anos que faltam para o fim do século iremos evoluir 20 mil anos”, acrescenta.

Não diria evoluir mas sim progredir tecnologicamente. O homem irá compactar num século milhares de anos de progresso tecnológico tendo como fundamento o progresso exponencial ao rácio actual. Evoluir é uma coisa. Progredir tecnologicamente é outra. 

5 PERGUNTAS A FILIPE LUIG

A bionanotecnologia será a base de tudo no futuro?

No futuro tudo será feito pela biotecnologia. Iremos colocar partículas de água e ar numa máquina e, com a desconstrução e construção de átomos, sairá de lá um computador todo feito em ADN. Os chips integrados, ou de silício, bem adoptados pela IBM, estão a perder a sua capacidade. Iremos chegar a uma altura em que iremos necessitar de mais processamento e armazenamento em menos espaço. O silício vai se esgotar e iremos precisar de outro material. Entra em cena o ADN, que a nanotecnologia está a desenvolver.

ver vídeo

O computador que de lá sai não é de DNA. O vídeo é uma demonstração das possibilidades da nano e do seu impacto.

A computação de DNA é uma possibilidade futura bem como a computação quântica. Isto porque a miniaturização física do silício está de facto a atingir o limiar. As alternativas podem ser o DNA porque à imagem da natureza, o DNA serve para processar e armazenar a informação. Desde o inicio dos anos 90 que se exploram as capacidades de computação da molécula de DNA nesse sentido ver dna computing no Google. O DNA é um excelente nanomaterial. A sua versatilidade e flexibilidade demonstram-no.
   
Quais irão ser as vantagens do ADN em relação à tecnologia actual?

O ADN tem uma excelente estabilidade química que, aliada à rigidez mecânica e capacidade condutora, faz dele um excelente material para se usar.

Que outros materiais estão a ser desenvolvidos pela nanotecnologia?

Os nanotubos de carbono, que são formados por átomos de carbono. Possuem alta resistência a tensão mecânica, como um diamante, e são bons condutores ou semi-condutores, especialmente de calor.

Que uso poderá ter este material?

Já se fala que daqui a uns anos vai sair um telemóvel flexível feito deste material. Será ainda, por exemplo, possível comunicar com doentes em coma, por via destes tubos e enviar informação pelo próprio ADN.

Existem interfaces neuro-electrónicos em que via nanotubos de carbono se estimularam células nervosas em culturas de neurónios de rato. A ideia passa por possibilitar um despoletar do potencial de acção responsável pela ocorrência de sinapses. Não há aqui DNA envolvido. É um estímulo electrónico que se pensa poder ser usado em doenças como Parkinson e Alzheimer. Apresentei uma publicação que sustenta a ideia de que o casamento biofísico é cada vez mais uma realidade. Fonte: Interfacing Neurons with Carbon Nanotubes: Electrical Signal Transfer and Synaptic Stimulation in Cultured Brain Circuits, Andrea Mazzatenta,1

Apenas para exaltar a máxima de que a intimidade entre um mundo vivo e um artificialmente concebido por nós  está cada vez mais estreitada tendo isto só por si, logicamente outra vez uma série de implicações que não cheguei a discutir, como realçei na palestar, não faziam parte do âmbito discutido.

Se a velocidade de processamento vai aumentar e a tecnologia vai colocar elementos no nosso corpo, quais serão as consequências?

No futuro iremos ser mais biónicos, com circuitos electrónicos instalados no nosso cérebros que irão funcionar em conjunto com o nosso ADN. A evolução das máquinas irá obrigar a que o homem se torne ele, também, em algo que pode ser modificado. Acredito que poderemos assistir, dentro de 100 anos, ao nascimento da próxima evolução do homem: o cyber sapiens.

Não é minha a teoria como é óbvio mas se nos mantivermos neste rácio de progresso tecnológico será cada vez menos ficção científica um dia de facto nos tornarmos 100% biónicos. Muitos são os autores que consideram a possibilidade do homem cibernético e chamam a isto a teoria do ciber sapiens. (ver Kurzweil AI).”

 Via DN ciência

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