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Falsas Memórias

Image result for brainVocê confia na sua memória? Já tentou verificar suas histórias por meio de outras pessoas, fotos ou outras fontes de informação?

Memórias parecem fortes, sólidas. Nossas lembranças nos parecem verdades. Estávamos lá, vimos com nossos olhos, escutamos com nossos ouvidos, sentimos na nossa pele. No entanto e na verdade, memórias são complexas, maleáveis e extremamente falíveis.

O nosso cérebro é muito complexo e capaz de armazenar algo como 2.5 petabytes de informação, porém é maleável, adaptativo e susceptível, influenciável. Perfeito para nossa evolução. Memórias não são eventos completos guardados num único local do cérebro e sim fragmentos de informação espalhados em diferentes regiões cerebrais.

Elas podem derivar de experiências pessoais ou de eventos externos, como coisas que você leu ou escutou, e têm propriedades reconstrutivas. Ao serem lembradas e relembradas várias vezes, podem sofrer alterações e serem armazenadas como experiências próprias, se transformando em memórias falsas.

Vale notar que memórias falsas não são mentiras. A pessoa tem “certeza” que vivenciou porque é o que está gravado em suas memórias, portanto, são verdades assumidas para quem as conta.

“A falsa memória é uma experiência mental que é erroneamente considerada como sendo uma representação verídica de um evento de seu passado pessoal. As memórias podem ser falsas de forma relativamente pequena (por exemplo, acreditar que viu as chaves na cozinha quando estavam na sala) e de maneiras que têm profundas implicações para si mesmo e outros (por exemplo, acreditar equivocadamente que é o criador de uma ideia ou que foi abusado sexualmente quando criança). ”
(Johnson, MK, 2001)

Isso acontece com quase todo mundo. Eu acredito que suas memórias, principalmente as de infância, não são exatamente o que aconteceu. Eu não gosto de banana, nem sequer tolero o cheiro. Um fato curioso é que minha mãe, tal como eu, não suporta banana. Eu tinha a memória de a um certo ponto quando criança, ter me entalado comendo uma banana e achava que era por isso que não gostava.

Ao verificar esta informação com meus familiares, descobri que na verdade foi minha mãe que se engasgou com uma banana quando criança. Acontece que quando eu era pequena, eu comia muita banana e minha mãe, que não suporta o, sempre pedia para eu me afastar enquanto estivesse comendo. Como resultado, ao lembrar e relembrar, meu cérebro memorizou que banana é horrível e se apropriou de uma memória que não é minha como justificação.

Nesse caso a memória falsa não afeta ninguém mas existem casos bem graves, como o caso de Nadean Cool, que em 1986 procurou ajuda de um psicólogo para lidar com um episódio traumático experienciado por sua filha e acabou tendo “memórias” de ser abusada quando criança, forçada a participar em rituais satânicos, ter sexo com animais, comer bebês e assistir ao assassinato de uma criança de 8 anos.

Como isso aconteceu? Como é possível? O seu psicólogo, ao aplicar terapias de hipnose nas suas sessões com Nadean, fazia sugestões que se transformaram em “memórias”. Episódios que ela foi lembrando achando que eram eventos reais que ela havia reprimido.

Em 1992 um pároco ajudou Beth Rutherford a se lembrar que o seu pai, também um homem de fé, a tinha molestado entre os 7 e os 14 anos e que a sua mãe às vezes até o ajudava, segurando-a. Através de sugestões externas, Beth passou a acreditar ter engravidado e abortado 2 vezes devido aos abusos. Quando a informação virou pública e seu pai foi acusado, ele teve que se demitir. No decorrer das investigações, exames médicos concluíram que Rutherford ainda era virgem e nunca tinha engravidado.

O perigo é óbvio – pessoas podem ser presas, condenadas, difamadas publicamente e até pior, devido a memórias de eventos que nunca aconteceram. E não é tão difícil assim plantar falsas lembranças, especialmente em crianças.

A nossa memória tem um pouco de ficção. Desde que não vire um filme de terror, não tem nada de errado nem de anormal nisso.

Tente verificar algumas de suas lembranças e veja por você mesmo como às vezes elas são bem diferentes do que aconteceu na realidade.

Site sobre o Síndrome de Falsa Memória: http://www.fmsfonline.org/

Um artigo científico da Dra. Elisabeth F. Loftus, da Universidade de Washington, onde descreve alguns testes que fez:  https://faculty.washington.edu/eloftus/Articles/sciam.htm 

 

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