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Arquivo do autor:Stephy

Sangue de Bombay

Provavelmente você já ouviu falar sobre tipos sanguíneos – A, B, AB, O – mas você sabia que existe um outro, o de Bombay (oficialmente hh)?

hh é o tipo sanguíneo conhecido mais raro. O fenótipo foi descoberto em 1952 pelo Dr. Y. M. Bhende em Mumbai (antigamente chamada de Bombaim), na Índia.

O Dr. Bhende tinha 2 pacientes que precisavam de transfusões sanguíneas – um vítima de uma facada e um operário de ferrovia – mas nenhumas das transfusões de sangue estava funcionando, o sangue deles se aglomerava assim que entrava em contacto com o dos doadores. O time médico testou 160 doadores até finalmente acharem um, de um residente de Bombaim, que era compatível com ambos os pacientes.

Este raro fenótipo está presente em apenas 0.0004% da população humana (4 em 1 milhão), apesar de algumas regiões como Mumbai na Índia, chegarem a ter ocorrências de 0.01% (1 em 10,000). No Brasil, apenas são conhecidas 11 famílias que têm Sangue de Bombay.

Devido à sua raridade, os bancos de sangue dificilmente têm stock, o que coloca as pessoas que precisam de transfusões urgentes em um risco elevado. 

Agora um pouco de biologia beeeemm sucinta: o nosso sangue tem glóbulos vermelhos (entre outros tipos de células que não são relevantes agora) que estão num fluído chamado plasma. Estes glóbulos vermelhos têm nas suas superfícies moléculas chamadas de antígenos, que induzem a formação de anticorpos quando uma ameaça é reconhecida pelo sistema imune.

Desses antígenos o H é o mestre, porque é a partir dele que são gerados todos os outros. Para o obtermos, uma enzima chamada de enzima activa H precisa transformar a substância precursora em antígeno H. A peculiaridade das pessoas com tipo sanguíneo hh é que elas não produzem a enzima activa H, o que significa que não têm o antígeno H e por consequência, nenhum dos outros.

Tirando o antígeno H que está implícito, quando dizemos que alguém tem sangue tipo A ou B, queremos dizer que essa pessoa tem antígenos tipo A ou B e anticorpos do tipo B ou A, respectivamente, em seu sangue. Pessoas com AB (receptores universais), tem antígenos do tipo A e B em seu sangue e não têm anticorpos. Pessoas do grupo O (dadores universais) têm anticorpos A e B e não antígenos (exceto H).

Grupo Sanguíneo Antígenos Anticorpos
A A,H B
B B,H A
AB – receptores universais A,B,H
O –  dadores universais H A,B
Bombay A,B,H

 

O grupo de pessoas com fenótipo hh pode doar sangue para todas as pessoas dos grupos ABO mas só pode receber do grupo hh. Em testes de sangue convencionais, o grupo hh pode ser confundido com o O, já que ambos produzem anticorpos para A e B. Para detectar Sangue de Bombay, ou Falso O como também é chamado, deve ser realizado um teste específico com anticorpos anti-H.

Acredita-se que este fenótipo surgiu com a reprodução dentro da mesma linhagem, em casamentos consanguíneos ou em comunidades muito fechadas, em que o pool genético era bem restrito, e então é provável que as pessoas com Sangue de Bombay tenham uma origem ancestral comum.

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Vídeo maravilhoso sobre educação e criatividade

Tem legenda em português, basta ativar no CC.


A evolução da comida

Falar da evolução da comida é falar da evolução da raça humana.

Acredita-se que os primeiros homens ingeriam comidas cruas – vegetais, cereais, pequenos animais que caçavam, etc.  Aprender a controlar o fogo e começar a ingerir alimentos cozinhados foi decisivo na história humana. 

Alguns pesquisadores consideram que cozinhar é relativamente recente – 500,000 anos – alguns outros, como Richard Wrangham, acreditam que o masterchef começou bem antes – cerca de 1.8 milhões de anos atrás, época que coincide com o aumento do tamanho do cérebro humano e a diminuição da sua dentição.

Qualquer animal está condicionado ao seu “orçamento de energia”, ou seja, à energia necessária para o funcionamento dos órgãos e do seu corpo. A comida cozinhada costuma ser mais mole (se não for eu fazendo o jantar), então seres com dentes menores, mandíbulas mais fracas e intestinos mais curtos, podem ingerir alimentos que anteriormente seriam difíceis de comer e digerir – como batatas e outros tubérculos. A digestão também ocorre com um menor gasto de energia quando os alimentos estão cozidos então, usa menos energia do nosso corpo e permite que a energia que poupamos seja usada por outros órgãos.

Adivinha que órgão do seu corpo precisa de muita energia? Esse mesmo que você colocou agora para funcionar – o seu cérebro.

Um corpo em repouso gasta cerca de um quinto da sua energia com o cérebro, mesmo que não esteja pensando em nada útil ou em nada, se isso for possível. 

O nosso cérebro é metabolicamente caro, mais caro do que qualquer outro órgão do nosso corpo, e acredita-se que foi o ingerir de comida cozinhada que tornou possível retirar a energia extra necessária para fazer o cérebro humano se desenvolver, ficar maior e mais inteligente (em alguns casos). Alguns pesquisadores acreditam que até as primeiras sociedades se formaram por causa da comida – com a necessidade de caçar animais maiores os humanos começaram a se unir e a se organizar.

Algumas datas curiosas sobre nossa evolução culinária, relacionados às nossas práticas de caça, pesca e cultivo. Todos os pontos abaixo têm datas estimadas, que se saiba ninguém sobreviveu até hoje para dar o dia certo dos acontecimentos:

  • 42,000 AC – As primeiras evidências de pesca no mar profundo, de peixes tipo atum;
  • 13,000 AC – Aprendemos a domesticar ovelhas, mil anos depois disso as cabras e 500 anos depois das cabras, as vacas;
  • 9,500 AC – Pensa-se que a agricultura começou nessa altura, a mesma época em que se estima que os gatos foram domesticados;
  • 5,400 AC – vinho na Pérsia;
  • 4,000 AC – laranjas na China;
  • Até 2 DC – Império Romano – vísceras de peixe eram o petisco mais valioso, mais caro do que ouro;
  • De 5 a 11 DC Idade Média – Muitas guerras, muita carne, ser gordo é legal;
  • A comida Italiana fica forte a partir do século 15;
  • Século 17, com Luís XIV – começa a loucura da comida e hábitos de mesa Francesa;
  • Século 19 – se inventa o hamburger e a Coca-Cola nos Estados Unidos, tendo resultado lá por volta de 1950 nessa moda de fastfood que dura até hoje.  

A conservação de alimentos em recipientes hermeticamente fechados, a pasteurização e a refrigeração aumentaram a vida útil dos alimentos, acabaram com a escassez e permitiram, entre outras coisas, o surgimento de grandes cidades. É possível dizer que a proliferação da nossa espécie nesse planeta se deve ao fato de termos dominado técnicas de produção e distribuição de alimentos.

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Deu fome?

Vamos pensar no presente. Temos restaurantes de todos os tipos disponíveis, comemos animais, plantas, vegetais, frutas, tubérculos, peixe. Comemos comida crua, como o tal do Sushi, e cozinhada. Bebemos álcool, refrigerante, sucos, água. Temos acesso a uma variedade enorme de comida e bebida e ainda produzimos corantes, transgênicos, etc, que não são naturais. Ou seja, consumimos tudo, natural ou não, seja de que origem for. 

E estamos consumindo bem mais do que devíamos. Estamos ficando sem recursos naturais, comendo cada vez mais alimentos industrializados, o que claro, nos traz consequências enormes a nível de saúde. Existem inúmeras doenças associadas à falta de qualidade da alimentação e à obesidade, como canceres, hipertensão, diabetes, etc., pode ver algumas aqui.

A culpa não é do que a Terra nos dá, é da nossa proliferação descontrolada e do que optamos fazer com os alimentos a que temos acesso, a culpa é dessa nossa cultura de exagero no prato e de comida para se engolir em vez de se mastigar.  O hábito de sentar na mesa com a família e aproveitar uma refeição caseira tranquilamente está desaparecendo, virando coisa do passado. 

Isso tudo me leva a pensar, como será o futuro da comida, e o nosso também? O comer é evolucionário e social, acompanha o ritmo da nossa sociedade e da nossa evolução.

Eu acredito que, à medida que vamos fazendo mais estudos, tendo mais conhecimento e também, que os recursos naturais vão inevitavelmente acabando, que o espaço para agricultura e gado vai estar ocupado com humanos, a população vai progredir para o veganismo. Vai demorar um tempão claro, mas eu acho que é uma evolução natural e previsível.

A obtenção de carne é muito demorada, poluente, ocupa muito espaço e ainda tem consequências nefastas para saúde. A proteína é facilmente compensada por vegetais então acredito que a carne vai ser a primeira coisa “grande” que vai sair dos nossos cardápios no futuro. As carnes vão ser substituídas por alimentos apenas vegetais.

Depois, com o avanço da pesquisa, da tecnologia e da medicina, os  humanos não vão sequer comer. Eu acho que beeeem lá no futuro, vamos beber uns shakes ou tomar uns comprimidos criados em laboratório, que vão nos saciar, deixar super bem nutridos sem risco de sobrepeso, doenças etc.

Nossos intestinos vão diminuir ainda mais, e a energia que usávamos antes pra digestão vai ser quase totalmente redirecionada para os nossos cérebros, aumento-os em tamanho e em desempenho.

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Oia nós no futuro

Acho que vamos ficar magrinhos e cabeçudos, um pouco como os desenhos de extraterrestres  de hoje em dia não é?

Comer me parece um ato retrógrada. Fazemos muito esforço para colocar comida na mesa e depois para digerir essa mesma comida. Penso que com a nossa evolução, o futuro vai trazer mais eficiência no processo de alimentação, com menos desperdício de tempo e de energia e mais poupança calórica.

Eu não consigo imaginar quantas centenas de milhares de anos vai levar para isso acontecer, mas imagino claramente acontecendo. Será que vai ser mais rápido do que foi para chegarmos até aqui? 

Hoje em dia já vemos um aumento enorme de adeptos ao vegetarianismo, veganismo e no geral até quem come carne consome em menor quantidade.  Tudo evolui tão mais rápido agora, quem sabe. 

É claro que enquanto o futuro não chega, a gente aproveita aquela bela Lasagna e um copo de vinho tinto pro jantar.


Tourmalina da paraíba

O Brasil é um país de preciosidades imensas mas poucas delas são tão lindas, mágicas e cativantes como a tourmalina da paraíba.

Pedra originária da Paraíba

Foi descoberta em 1989 por Heitor Dimas Barbosa, que passou cerca de 5 anos escavando as encostas do estado da Paraíba (Mina da Batalha), atrás de seu palpite de que havia algo precioso por ali.

Com certeza ele soube que havia achado o que procurava quando viu e segurou nas mãos, pela primeira vez, a pedra azul-esverdeada com um brilho incandescente.

Análises posteriores demonstraram que esse efeito é causado pela presença de cobre e manganês. A presença de cobre é tão intensa nas pedras da Paraíba que às vezes as inclusões encontradas são de cobre quase puro.

A tourmalina da paraíba, ou  tourmalina elbaite cuprico como também é chamada devido à sua composição, foi introduzida ao mundo das pedras preciosas no show anual de gemas de Tucson em 1990 e virou imediatamente uma sensação. Nos anos seguintes a procura era tão grande e havia tão poucas pedras disponíveis que era quase impossível para os traders obterem stock.

Dois espécimens venderam em Tucson na época por cerca de 3,000 USD (dólares) por carat. Parecia caro mas hoje em dia é um preço considerado até barato para os valores que essas pedras atingem, muitas vezes de mais de 10,000 USD por carat.

Para colocar a sua raridade em perspectiva, para cada 10,000 diamantes existe 1 tourmalina da paraíba, sendo uma das gemas mais raras e exclusivas do mundo.  Especialmente se falarmos de pedras acima de 3 carats originárias do Brasil que são raríssimas, quase impossíveis de achar!

Em 2001 foram descobertas gemas semelhantes na Nigéria, num espectro maior de cores – de verdes a violetas – que também continham cobre, incluindo o azul-esverdeado, embora a saturação da cor não fosse tão boa quanto a Brasileira.

Em 2005, uma nova descoberta feita em Moçambique revelou também um vasto espectro de cores de pedras com composições semelhantes, passando pelo azul-esverdeado, com uma cor muito parecida a Brasileira. Na verdade, a pedra de Moçambique tem muitas vezes maior claridade do que a da Paraíba e aparece em tamanhos maiores.

 

Com essas descobertas de gemas de composições químicas parecidas à Brasileira se iniciou uma discussão sobre o nome – como poderiam chamar pedras originárias de Moçambique ou da Nigéria, tourmalinas da Paraíba?

Pedras da Nigéria Foto com direitos autorais da Barker & Co.

Terminaram concordando usar o paraíba sem usa a letra P maiúscula, como indicação de categoria e não de local geográfico.

A maioria dos certificados gemológicos atuais feitos para essas gemas normalmente exibe os dois nomes – diz algo como “Tourmalina elbaite cuprico (também conhecida como tourmalina da paraíba)”.

Apesar de serem exclusivas e muito raras também, nenhuma das pedras oriundas dos outros locais tem o brilho incandescente da pedra Brasileira e portanto nenhuma é tão famosa, desejada ou cara como a tourmalina original da Paraíba.

 


Dicas de gestão financeira para não-financeiros

Eu tenho percebido que a maioria das pessoas não tem uma estrutura financeira estável e que ter dívidas, vários cartões estourados e o nome sujo, são coisas comuns.

A situação está difícil – tanto no Brasil como em Portugal como em vários outros lugares que têm impostos e taxas pesadas, alto custo de vida, mau gerenciamento governamental, desemprego, e onde ter alguma qualidade de vida tem um preço alto quando comparado aos salários da população. Portugal está melhorando, dizem, mas eu noto que até pessoas com salários razoáveis, bons empregos, têm tendência a se endividar. Falta educação financeira de uma forma geral.

Eu não sou da área financeira nem de perto, já tive dívidas, já passei muito perrengue mas aprendi na marra e escrevo tudo o que está abaixo como dica. Siga todos os conselhos, não siga nenhum, siga conselhos de outros mas tenha mais controle, seja mais consciente do que está fazendo com seu dinheiro, para poder aproveitar mais no futuro.

Com o que está gastando seu dinheiro?

O que eu mais percebo é que as pessoas nem sabem direito com o que estão gastando. Não existe melhora sem conhecimento.

A primeira coisa que eu fiz que eu fiz quando percebi que estava em apuros financeiros e decidi mudar essa situação foi criar um Excel onde eu pudesse anotar, por categorias, tudo o que estava gastando e poder ver para onde estava indo meu dinheiro. Eu uso esse mesmo método até hoje, continua básico e simples de usar, se quiser pode baixar aqui – Financas. Tem 4 “áreas de controle”.

A primeira são as Entradas, o dinheiro que recebo seja do meu salário ou “outros” – o que sobrou do mês passado na sua conta corrente, ou para quem tem retornos de investimentos, recebe renda de algum aluguel, pensão do ex-marido, aposentadoria de pai, seja o que for.

Depois coloco as Saídas, os gastos, basicamente. Eu coloco uma divisão entre saídas em dinheiro e as do cartão de crédito, que é a 3a área de controle. Então essas primeiras Saídas são apenas em dinheiro. Dentro dos gastos eu faço uma separação das categorias que eu acho que melhor se aplicam na minha vida:

  1. Casa: aluguel, manutenção, água, luz, telefone, etc.;
  2. Carro: gasolina, serviço, inspeção, etc.;
  3. Mercado e Refeições: tudo o que eu gasto com comida, seja no mercado ou fora;
  4. Cachorros e Saúde: eu tenho dois cachorros, o que gasto de comida, veterinário, o que for de despesa deles e da minha saúde, farmácia, consultas, etc.;
  5. Lazer e Viagens: passeios, saídas, no meu caso bilhetes de avião já que moro fora, etc.;
  6. Cartão de crédito: a conta inteira do cartão que vai vencer no mês em questão;
  7. Poupança: o valor que pretendo e posso poupar a cada mês;
  8. Transferências: dinheiro que mando para a família; e
  9. Outros e Presentes: despesas que não são essenciais, como doações, presentes de aniversário, manicure, roupa, etc.

Em seguida temos as Saídas em Cartão de Crédito. As categorias usadas são as mesmas das Saídas em dinheiro retirando os pontos 6, 7 e 8 . Essa separação de saídas me permite ter um controle do que eu estou gastando onde e ter visibilidade total do que esperar na minha fatura do cartão. Como vocês sabem, a fatura do cartão tem 30 dias de crédito então, quando a fatura do cartão fecha para o mês de Janeiro eu coloco esse valor na parte da Saída em dinheiro do mês de Março.

A 4a área do meu controle é apenas um somatório do que foi gasto em cada uma das categorias de uma forma mensal e depois anual, que me permite ter uma visão geral das minhas despesas.

Cada coluna do Excel representa um mês, e o que eu faço todas as manhãs é abrir esta planilha e adicionar todas as despesas que eu paguei no dia anterior nas sua áreas respectivas.

Esse foi o método que funcionou para mim, porém tem vários outros, o importante é você ter noção do que está fazendo com o seu dinheiro. Você pode anotar seus gastos num aplicativo como o Gastos Simples, Agora Sobra, Wallet, Fast Budget, e muitos muitos outros. Não sabe usar isso, sem problema, se organize, arrume um caderno que sirva de diário de despesas, anote tudo lá e faça suas contas.

Esse exercício é essencial. Se você não sabe exatamente com o que está gastando, nunca vai conseguir controlar e cortar gastos, não vai poupar o que deve poupar para sair do aperto mais na frente.

Quando tiver completa visibilidade das suas despesas, analise-as. Veja se tem alguma coisa que você pode cortar, reduzir, e colocar na sua Poupança em vez de gastar. Abra uma conta poupança separada e comece com 50 reais, 20, 10, não importa, isso é pro futuro. 10 reais por mês são 120 reais por ano e 240 a cada 2 anos. E eu aposto, que se você se acostumar a poupar e vir esse número crescer pouco a pouco, em breve estará poupando 20 em vez de 10. Em breve estará recebendo juros e acumulando seu dinheiro.

O objetivo de tudo o que eu disser nesse post é aumentar cada vez mais o número que diz “Poupança”, isso é tudo em que você deve focar. Porquê? Para que você consiga poupar o suficiente para ir limpando e diminuindo suas dívidas até ser livre, e para que no futuro quem sabe não precise se endividar nem ficar no aperto quando uma despesa inesperada acontece porque tem dinheiro pra cobrir.

Consolide sua dívida

Você tem dívidas em 3 cartões de crédito, 5 empréstimos aqui e ali? Comece por pegar seus 3 cartões e destruir 2 deles, senão todos. Fique apenas com um cartão de crédito no máximo, para emergências. Autocontrole é chave, não adianta destruir 2 cartões e ir aplicar um novo no dia ou no mês seguinte. Cartão de crédito tem que ser usado com muito cuidado, nem você nem ninguém precisa de mais do que 1.

A mesma coisa com esses empréstimos que se tiram por aí. A maioria dessas casas que oferecem empréstimos fáceis são quase agiotas licenciados. Você pega 100 reais emprestados e paga 250. Juros altíssimos, que parecem só fazer aumentar as dívidas, por mais que você pague. Então chega, se comprometa a parar com esse círculo vicioso, por mais sacrifício que tenha que fazer.

Em seguida, vá no seu banco fale com o seu gerente e diga que quer consolidar sua dívida. Corte os cartões na frente dele se preciso, leve os extratos dos seus empréstimos e pergunte se o banco pode “comprar sua dívida”. Ou seja, o banco paga todos os seus cartões, seus outros empréstimos, e você fica apenas com uma dívida maior em um banco. Eu sugiro que isso seja feito no banco em que você recebe, porque como têm acesso às suas contas é mais fácil ser aprovado. De jeito nenhum faça isso numa dessas casas de financiamento fácil.

Claro que se o banco achar que sua dívida é muito extensa ou que você não é um bom pagador não vão aceitar, mas tente, o máximo que você pode levar é um não. Se você conseguir, um valor acessível, que você consiga pagar mensalmente sem passar fome deve ser estipulado e deduzido diretamente do seu salário.

Se o banco negar, não se desespere. Quando você começar a controlar seus gastos, parar de fazer novas dívidas, tiver cuidado com o uso do cartão de crédito e começar a poupar nem que seja 10 reais por mês, mesmo sem uma dívida consolidada, e claro demorando mais, você irá sair do sufoco.

Viva de acordo com suas possibilidades

Já ouviu dizer que quem não tem dinheiro não tem vícios? Pois então. Se você não tem dinheiro e está sempre endividado, a primeira coisa (e a mais difícil), é parar de gastar com coisa fútil. Em vez de beber 5 cervejas, bebe 1, fuma menos, compra menos roupa (ou nenhuma por um tempo), aprende a fazer sua própria unha, seu cabelo, limpe sua própria casa, faça sua comida em casa.

Pare de ter vergonha, pare de querer ser o que você não é. Não tem dinheiro para sair, fale pros seus amigos que tá apertado e vai ficar apertado durante uns tempos e que não vai dar pra sair. Seus amigos de verdade vão te chamar na casa deles e te oferecer uma cerveja, ou ficar apenas trocando ideia, sem problema. Diversão é importante mas sempre tem uma opção mais barata de diversão e em época de sacrifício, sacrifícios têm que ser feitos.

Esquece o tênis da moda ou a lupa da vez. A casa tá cara? Mude pra uma menor, mais barata, o importante é ter um teto; tenha menos coisa em casa pra manter. Carro tá consumindo muito? Vende e compra um mais em conta, considere ficar sem carro e usar o metrô se tiver na sua rota. Tudo isso é besteira, você não precisa disso. O que você precisa é de deitar a cabeça na almofada sem estresse.

Comece cortando o fútil, o extra, o que é apenas imagem. Mantenha apenas o essencial. Entenda que tudo isso é um sacrifício temporário, em breve você estará se divertindo mais do que imagina porque estará livre de dívidas e com as costas leves.

 Aprenda a usar o cartão de crédito a seu favor

Como eu havia dito, tenha apenas 1 cartão de crédito. Coloque um limite nesse cartão que não passe de um salário e meio seu e tente colocar a data da fatura para dia 30 ou 31 de cada mês. Depois da fatura ser emitida, ela tem um período de crédito de 30 dias, o que quer dizer que você usa por exemplo o mês de Janeiro, a fatura sai dia 31 de Janeiro e apenas terá que pagar no início de Março.

Não pode esquecer que durante o mês de Fevereiro você pode ter que usar o cartão, embora não tenha pago ainda Janeiro, então, o crédito que você consumiu em Janeiro ainda está pendente. Muito cuidado para em Fevereiro não estourar o limite do cartão. Quando você passa o limite o banco cobra taxas de juro extra no seu cartão, você será penalizado e aumentará sua dívida a troco de nada – isso é dar dinheiro de graça pro banco.

Além disso, cartões de crédito têm juros. Se você não paga a fatura do cartão na totalidade, o banco irá cobrar juros sob o valor que não foi pago e acrescentar na sua fatura seguinte, ou seja, sua dívida cresce. Gaste no cartão apenas o que consegue pagar na totalidade. Provavelmente isso não será possível logo de cara mas comece gastando o mínimo e pagando o máximo possível da sua fatura, eventualmente chegará numa posição de equilíbrio.

Um outro conselho é que não pague mais do que o valor da sua fatura. Sobrou dinheiro? Joga na poupança, deixa a fatura do cartão para pagar quando chegar a hora, no valor certo da totalidade da fatura. Pagar adiantado não traz vantagem nenhuma para você.

Tente escolher um cartão com juros o mais baixo possível e que tenha algum benefício extra, como pontos de supermercado, desconto em gasolina ou transportes públicos, seja o que for que você pode aproveitar depois. Se tiver um cartão que tem juros muito muito baixos mas não oferece nada, pegue esse mesmo, pelo menos até estar livre de dívidas.

Existem muitas opções de cartão crédito, leia as letrinhas pequenas dos contratos, faça muitas perguntas, investigue, pesquise na Internet, pergunte para um amigo, se informe bastante e escolha o melhor para sua condição financeira e para os seus tipos de gastos.

Escolha uma estratégia financeira

A minha funciona mais ou menos assim: recebo meu salário, pago as minhas despesas essenciais, a fatura inteira do cartão de crédito, coloco o máximo que der na poupança e fico com o mínimo na minha corrente. Funciona comigo pois aproveito os pontos do cartão sem nunca pagar multas, fico com o mínimo possível na mão porque sei que o que tá na mão voa fácil e coloco tudo o resto na poupança porque “dói” mais para tirar depois.

Tem gente que prefere não usar cartão – se você não sabe usar direito, melhor não ter mesmo; uns preferem ir pagando as dívidas aos poucos, outros preferem juntar dinheiro e quitar de vez (desde que a dívida não aumente pode ser bom, pode negociar o valor se pagar de vez); enfim, existem várias estratégias possíveis.

Pense, pesquise, decida o que melhor se adapta a você siga sempre a mesma estratégia porque vira hábito. Tal como malhar, você se acostuma e fica cada vez mais fácil e menos doloroso. O objetivo é sempre pagar todas as responsabilidades e dívidas em vez de acumular, e aumentar o número da sua poupança.

Se possível, aumente seu rendimento

Agora que você já reduziu suas despesas, sabe para onde seu dinheiro está indo, tem uma estratégia para pagar sua dívida e aumentar sua poupança, a única coisa que resta fazer é aumentar seu rendimento.

Gosta de cozinhar? Pode vender marmita, doces, salgadinhos; pessoas mais criativas podem ajudar em decoração de eventos ou casas, quartos de bebê; pode fazer um serviço extra pintando parede, dirigir Uber , costurar em casa, fazer artesanato para vender, investir em galinhas e vender ovos, plantar uma horta e vender verdura, trabalhar num bar recolhendo copo ou até quem sabe simplesmente se colocar no mercado e tentar achar um emprego com mais benefícios (em paralelo com seu trabalho, não vá se demitir de um emprego por coisas incertas).

Eu tinha meu emprego durante a semana e me inscrevi como promotora de eventos em várias agências e também numa empresa de cerimonial. Enquanto meus amigos estavam na farra, eu fiquei muitas noites trabalhando, entregando folheto ou fazendo promoção e muitos finais de semana em casamentos, trabalhando feiras, eventos, etc. Perdi farra mas sabe o que eu ganhei? Dinheiro. Complementei minha renda como pude e aos poucos fui me estabilizando. Requer esforço e sacrifício, cansa, e às vezes dá vontade de largar tudo mas vale a pena, tem muito mais anos aproveitando depois do que distribuindo folhetos.