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Arquivo da categoria: Descobrindo o mundo

Ilhas Maurícias

Eu tenho feito algumas viagens maravilhosas que não estou compartilhando como deveria.

Ano passado, em Agosto, fui numa viagem encantadora para as ilhas Maurícias e depois para as Seychelles e vou fazer um post sobre cada um dos locais – vamos torcer que o das Seychelles saia antes de completar um ano dessa viagem.

Um pouco de informação geral primeiro:

Localização: A República da Maurícia fica no Oceano Índico a cerca de 2.000 km da costa sudeste do continente africano e inclui as ilhas Maurícia, Rodrigues, Reunião e mais uns pedaços de terra por ali, vão no wikipedia ou no google maps para mais detalhes. A capital é Port Louis, que fica no noroeste da ilha Maurícia. São ilhas formadas por erupções vulcânicas.

Língua: Por incrível que pareça não tem uma língua oficial. Na prática, entre eles falam Criolo Mauriciano, que tem um som parecido com o Francês mas as palavras são bastante diferentes, a população também fala Francês e Inglês fluente.

História geral: A ilha Maurícia era desabitada antes de sua primeira visita registrada durante a Idade Média pelos árabes, que a chamaram de Dina Arobi. Em 1507, os navegadores portugueses chegaram à ilha e estabeleceram uma base de visitantes. Diogo Fernandes Pereira, navegador português, chamou a ilha de Ilha do Cirne. Em 1598, os Holdandeses comandados pelo almirante Wybrand Van Warwyck desembarcaram em Grand Port e trocaram o nome para ilha de Maurício em homenagem ao príncipe Maurício de Nassau. Os holandeses estabeleceram uma pequena colônia na ilha em 1638, da qual exploraram árvores de ébano e introduziram cana-de-açúcar, animais domésticos e veados. A França, que já controlava a vizinha Île Bourbon (atual Reunião), assumiu o controle da ilha em 1715 e a renomeou como Isle de France. A 3 de dezembro de 1810, os britânicos tomaram o controle da ilha e reverteram seu nome para Maurício. Além dos conquistadores, a ilha tinha, no tempo da escravidão, muitas pessoas trazidas da África, de Madagáscar e da Índia.
Ou seja: todo mundo esteve lá, quem passava trocava o nome, tem influência de todo canto. A escravidão foi abolida em 1835. A independência da República foi proclamada em 12 de Março de 1968 e Sir Seewoosagur Ramgoolam foi o primeiro Primeiro-Ministro da Maurícia com a Rainha Elizabeth II como chefe de estado. O principal produto da ilha é o açúcar, tem várias plantações por toda a ilha. Também têm produção de chá e tabaco e claro, o turismo também move a economia.  

O povo mauriciano é multiétnico, multirreligioso, multicultural e multilingue. Vi um monte de Indianos, Chineses, Árabes, Franceses, Ingleses, e descendentes de todos esses lugares, todos juntos e misturados. Tem Hindus, Católicos, Muçulmanos, tudo de todo o tipo. Todo mundo vive em paz na ilha, que tem um ritmo bem, de ilha mesmo. Todo mundo tranquilo. Tudo se faz mas, sem estresse.

Passei uma semana na ilha e fiquei hospedada num hotel super legal, bem na frente da praia, super ajeitadinho mas sem muita frescura, bem “praieiro”, na praia de Flic-en-Flac (http://www.les2canons.mu/). Como a ilha não é muito grande, aluguei um carro, o que ajudou bastante pois fomos até ao jardim botânico Sir Seewoosagur Ramgoolam na capital e pude dar uma volta na ilha inteira, visitar várias praias.

Quando eu vou pela primeira vez em qualquer país que seja, sempre pego tours com empresas de turismo. É um jeito fácil e prático de ter uma noção geral das coisas mais importantes que o local tem a oferecer.

Essa vez não foi excepção e em nossas tours visitamos:

– o Museu do Açúcar, onde pudemos ver como é produzido e perceber a importância do açúcar nessa comunidade, (https://www.aventuredusucre.com/fr/misc/galerie.aspx);

– plantação de baunilha – que é extremamente sensível, rara e cara

– a Rummerie de Chamarel e Saint Aubin – ambas são destilarias de rum onde se fazem várias provas de rum, mas em diferentes partes da ilha, é complicado para sair de pé de qualquer uma delas

– as terras coloridas de Chamarel – uma propriedade privada localizada em Chamarel, que tem algumas cascatas e onde, devido a presença de diferentes óxidos minerais, a terra apresenta uma variação em coloração, mais especificamente, tem 7 cores diferentes

– Ganga Talao ou Grand Bassin – um lago sagrado com um templo Hindu. Na entrada do templo fica a estátua de Shiva, ao entrar, tem várias estátuas de todos os deuses Hindus

– Fábrica de Chás de Bois Chéri – nos explicam como são plantados, colhidos, trazidos pras fábricas e como são feitos os diversos chás, tudo isso seguido de uma prova de chás maravilhosa com bolinhos deliciosos

– fomos de barco para uma ilha vizinha, mergulhamos pelo caminho, passamos o dia lá, almoçamos e na volta vimos golfinhos. Gostei do passeio em si mas não gostei da pressão em cima dos golfinhos. São tantos barcos em volta deles, tantas crianças e adultos pulando quase em cima deles pra nadar com eles, penso que devem ficar bem estressados e não concordo com isso, acho que podemos apreciar a beleza da natureza sem a danificar e prejudicar

– o Zoo La Vanille Nature Park – vimos vários animais, crocodilos enormes e claro, as famosas tartarugas gigantes, que são de fato, incríveis. Pensar que algumas estão aqui há mais de 100 anos. É preciso ter algum cuidado ao alimentar as tartarugas, elas não fazem de propósito mas às vezes mordem uns dedinhos pensando que é comida

Vimos muitas outras coisas interessantes. A ilha tem muita história, muita coisa para ver e para aprender. É um local onde existe produção, empresas de vários locais, além de turismo. Diferente das Seychelles, que é mais apenas praia e paraíso, as Maurícias parecem ter uma mais vida normal, um paraíso com praias maravilhosas mas mais citadino.

A culinária representa bem a variedade da população – os pratos são uma mistura de comida chinesa, indiana, francesa e criola. Gostam bastante do picante deles. A cerveja local, a Phoenix, é bem gostosa.

As pessoas são bastante simpáticas, todo mundo disponível para ajudar os turistas, dispostos a dar recomendações e a contribuir para as suas férias serem o que você espera.

No geral gostei bastante da viagem, acho que para férias mesmo, de relaxar geral eu prefiro as Seychelles mas sem dúvida as ilhas Maurício merecem uma visita e sendo perto das Seychelles recomendo que façam o que eu fiz – as duas coisas, uma semana em cada um.

Não sou a melhor fotógrafa do mundo mas algumas aí que eu tirei, pra dar uma ideia do local.

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A evolução da comida

Falar da evolução da comida é falar da evolução da raça humana.

Acredita-se que os primeiros homens ingeriam comidas cruas – vegetais, cereais, pequenos animais que caçavam, etc.  Aprender a controlar o fogo e começar a ingerir alimentos cozinhados foi decisivo na história humana. 

Alguns pesquisadores consideram que cozinhar é relativamente recente – 500,000 anos – alguns outros, como Richard Wrangham, acreditam que o masterchef começou bem antes – cerca de 1.8 milhões de anos atrás, época que coincide com o aumento do tamanho do cérebro humano e a diminuição da sua dentição.

Qualquer animal está condicionado ao seu “orçamento de energia”, ou seja, à energia necessária para o funcionamento dos órgãos e do seu corpo. A comida cozinhada costuma ser mais mole (se não for eu fazendo o jantar), então seres com dentes menores, mandíbulas mais fracas e intestinos mais curtos, podem ingerir alimentos que anteriormente seriam difíceis de comer e digerir – como batatas e outros tubérculos. A digestão também ocorre com um menor gasto de energia quando os alimentos estão cozidos então, usa menos energia do nosso corpo e permite que a energia que poupamos seja usada por outros órgãos.

Adivinha que órgão do seu corpo precisa de muita energia? Esse mesmo que você colocou agora para funcionar – o seu cérebro.

Um corpo em repouso gasta cerca de um quinto da sua energia com o cérebro, mesmo que não esteja pensando em nada útil ou em nada, se isso for possível. 

O nosso cérebro é metabolicamente caro, mais caro do que qualquer outro órgão do nosso corpo, e acredita-se que foi o ingerir de comida cozinhada que tornou possível retirar a energia extra necessária para fazer o cérebro humano se desenvolver, ficar maior e mais inteligente (em alguns casos). Alguns pesquisadores acreditam que até as primeiras sociedades se formaram por causa da comida – com a necessidade de caçar animais maiores os humanos começaram a se unir e a se organizar.

Algumas datas curiosas sobre nossa evolução culinária, relacionados às nossas práticas de caça, pesca e cultivo. Todos os pontos abaixo têm datas estimadas, que se saiba ninguém sobreviveu até hoje para dar o dia certo dos acontecimentos:

  • 42,000 AC – As primeiras evidências de pesca no mar profundo, de peixes tipo atum;
  • 13,000 AC – Aprendemos a domesticar ovelhas, mil anos depois disso as cabras e 500 anos depois das cabras, as vacas;
  • 9,500 AC – Pensa-se que a agricultura começou nessa altura, a mesma época em que se estima que os gatos foram domesticados;
  • 5,400 AC – vinho na Pérsia;
  • 4,000 AC – laranjas na China;
  • Até 2 DC – Império Romano – vísceras de peixe eram o petisco mais valioso, mais caro do que ouro;
  • De 5 a 11 DC Idade Média – Muitas guerras, muita carne, ser gordo é legal;
  • A comida Italiana fica forte a partir do século 15;
  • Século 17, com Luís XIV – começa a loucura da comida e hábitos de mesa Francesa;
  • Século 19 – se inventa o hamburger e a Coca-Cola nos Estados Unidos, tendo resultado lá por volta de 1950 nessa moda de fastfood que dura até hoje.  

A conservação de alimentos em recipientes hermeticamente fechados, a pasteurização e a refrigeração aumentaram a vida útil dos alimentos, acabaram com a escassez e permitiram, entre outras coisas, o surgimento de grandes cidades. É possível dizer que a proliferação da nossa espécie nesse planeta se deve ao fato de termos dominado técnicas de produção e distribuição de alimentos.

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Deu fome?

Vamos pensar no presente. Temos restaurantes de todos os tipos disponíveis, comemos animais, plantas, vegetais, frutas, tubérculos, peixe. Comemos comida crua, como o tal do Sushi, e cozinhada. Bebemos álcool, refrigerante, sucos, água. Temos acesso a uma variedade enorme de comida e bebida e ainda produzimos corantes, transgênicos, etc, que não são naturais. Ou seja, consumimos tudo, natural ou não, seja de que origem for. 

E estamos consumindo bem mais do que devíamos. Estamos ficando sem recursos naturais, comendo cada vez mais alimentos industrializados, o que claro, nos traz consequências enormes a nível de saúde. Existem inúmeras doenças associadas à falta de qualidade da alimentação e à obesidade, como canceres, hipertensão, diabetes, etc., pode ver algumas aqui.

A culpa não é do que a Terra nos dá, é da nossa proliferação descontrolada e do que optamos fazer com os alimentos a que temos acesso, a culpa é dessa nossa cultura de exagero no prato e de comida para se engolir em vez de se mastigar.  O hábito de sentar na mesa com a família e aproveitar uma refeição caseira tranquilamente está desaparecendo, virando coisa do passado. 

Isso tudo me leva a pensar, como será o futuro da comida, e o nosso também? O comer é evolucionário e social, acompanha o ritmo da nossa sociedade e da nossa evolução.

Eu acredito que, à medida que vamos fazendo mais estudos, tendo mais conhecimento e também, que os recursos naturais vão inevitavelmente acabando, que o espaço para agricultura e gado vai estar ocupado com humanos, a população vai progredir para o veganismo. Vai demorar um tempão claro, mas eu acho que é uma evolução natural e previsível.

A obtenção de carne é muito demorada, poluente, ocupa muito espaço e ainda tem consequências nefastas para saúde. A proteína é facilmente compensada por vegetais então acredito que a carne vai ser a primeira coisa “grande” que vai sair dos nossos cardápios no futuro. As carnes vão ser substituídas por alimentos apenas vegetais.

Depois, com o avanço da pesquisa, da tecnologia e da medicina, os  humanos não vão sequer comer. Eu acho que beeeem lá no futuro, vamos beber uns shakes ou tomar uns comprimidos criados em laboratório, que vão nos saciar, deixar super bem nutridos sem risco de sobrepeso, doenças etc.

Nossos intestinos vão diminuir ainda mais, e a energia que usávamos antes pra digestão vai ser quase totalmente redirecionada para os nossos cérebros, aumento-os em tamanho e em desempenho.

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Oia nós no futuro

Acho que vamos ficar magrinhos e cabeçudos, um pouco como os desenhos de extraterrestres  de hoje em dia não é?

Comer me parece um ato retrógrada. Fazemos muito esforço para colocar comida na mesa e depois para digerir essa mesma comida. Penso que com a nossa evolução, o futuro vai trazer mais eficiência no processo de alimentação, com menos desperdício de tempo e de energia e mais poupança calórica.

Eu não consigo imaginar quantas centenas de milhares de anos vai levar para isso acontecer, mas imagino claramente acontecendo. Será que vai ser mais rápido do que foi para chegarmos até aqui? 

Hoje em dia já vemos um aumento enorme de adeptos ao vegetarianismo, veganismo e no geral até quem come carne consome em menor quantidade.  Tudo evolui tão mais rápido agora, quem sabe. 

É claro que enquanto o futuro não chega, a gente aproveita aquela bela Lasagna e um copo de vinho tinto pro jantar.


5 dicas para quem quer morar nos Emirados

É um país difícil para novatos. Principalmente por ser tão caro, aqueles que vêm na aventura, sem nenhum plano e apenas com a esperança de achar algum emprego, normalmente gastam suas reservas e vão embora pior do que chegaram.

Dica no. 1 – Inglês

Mesmo que você falasse Árabe perfeitamente, os Emirados têm muitos expatriados, aliás a população é não-Árabe em sua maioria então, se não souber falar Inglês direito, as coisas mais simples como pedir comida num restaurante serão bem complicadas.

Pratique seu Inglês, faça cursinhos online ou o que puder fazer para deixar seu Inglês mais fluente e o menos abrasileirado possível. Línguas adicionais são um plus, como o Espanhol, Francês, Alemão, etc, mas o Inglês é obrigatório.

Dica no. 2 – Comece a procurar trabalho antes de chegar 

Muitas empresas contratam gente que não mora aqui, então é comum aceitarem entrevistas por Skype ou por telefone e às vezes pagam até sua passagem pra você fazer a entrevista pessoalmente. Então o ideal é que você já venha com algo alinhado. Comece por:

  • O LinkedIn é uma das melhores e mais usadas ferramentas de recrutamento nos Emirados. Dê aquele grau no seu CV (em Inglês, óbvio) e poste no LinkedIn. Foto profissional, que mostre toda sua cara mas nada de decotes, bebida na mão etc, deixa isso pro teu Facebook;
  • Se inscreva em sites de emprego no UAE, como monster.com, bayt.com, dubbizzle.com, monstergulf.com, gulftalent.com;
  • Se inscreva nos sites das agências de recrutamento – a Robert Half por exemplo é boa para profissionais que trabalham com Financeiro, a Charterhouse, assim como a Hays, é melhor para pessoas de Administração. Existem várias, MacKenzieJones, McGregor-Boyall, etc.;
  • Aplique nos sites das empresas de seu interesse. Se por exemplo você quer trabalhar com hotelaria, faça uma pesquisa no Google, veja as centenas de hotéis que existem aqui e saia aplicando diretamente nos sites dos hotéis.

Nota: tenha certeza que seu perfil é consistente em todos os canais, posts, etc, não vá cometer o erro básico de dizer uma coisa no seu CV e outra no seu LinkedIn. Os meios se consultam, cuidado para não mentir e perder a reputação de cara.

Se você já sabe que vem para os Emirados de todo jeito e não está esperando ser contratado para poder ter patrocínio na passagem, uma outra dica é colocar seu endereço como se já estivesse aqui. Isso facilitará e aumentará suas chances com aqueles que querem contratar apenas pessoas que já moram nos Emirados. Se te ligarem, você pode sempre dizer que está de férias ou teve que voltar para resolver alguma coisa mas estará de volta no dia X da sua passagem.

É muito importante achar emprego logo. Além de ser um lugar muito caro em que você não vai conseguir se sustentar muito tempo sem uma fonte de renda, é preciso visto para morar e apenas consegue com um emprego ou casando com alguém que tenha visto e possa ser seu sponsor. Se não arrumar emprego, já sabe, o truque é casar logo rsrs.

Ah, e não pense que só porque vem para os Emirados vai chegar sentado(a) em petrodólares como eu sempre escuto porque isso é a maior besteira do mundo. A menos que você já tenha uma carreira brilhante e venha recrutado especificamente por essa carreira, já com tudo mais do que certo, você vai começar por baixo como todo mundo. Se ganha mais aqui do que aí? Ganha sim, mas se gasta muuuiiiitttooo mais também. Você vai penar de todo jeito, ter que comer pão e danone vários dias e viver de salário em salário vários meses ou até anos. A diferença é que se você for profissional, qualificado(a), dedicado(a) e se adaptar rápido, você provavelmente terá uma escalada mais rápida do que no Brasil. Além de ser mais seguro, limpo, etc etc

Dica no. 3 – Procure fazer amigos antes de chegar

Como disse, é um lugar difícil. Se você não conhece ninguém provavelmente se sentirá bastante sozinho(a) e até meio deprimido no início. Se inscreva em grupos de pessoas que moram aqui, como o Brasileiros em Dubai, ou o InterNations, existem vários e são facilmente encontrados no Facebook, Google. Eles sempre organizam eventos, cafés, jantares, festas. Você pode se inscrever antes de chegar, ir conversando com as pessoas pela Internet e quando chegar já se sentirá mais à vontade e terá uma base de conhecidos.

Participe de todos os eventos que puder pelo menos uma vez. Esses grupos são ótimos para fazer contatos profissionais e os Emirados funcionam muito por indicação, é bem possível que uma dessas pessoas seja a pessoa que te indica o caminho certo e você terá a oportunidade de fazer novos amigos.

Acredite que até com amigos você se sentirá sozinho às vezes. Aqui todo mundo trabalha muito, é comum passar 10, 11 horas no trabalho por dia e agendas ficam difíceis de conciliar, então, é importante que tenha diversos grupos de amigos, faça atividade física, namore, viaje, curta bem muito os momentos fora do trabalho para não ficar excessivamente isolado(a).

Dica no. 4 – Venha com algum dinheiro

Ai, como é caro aqui. Tudo é caro mas acomodação nem se fala! Se você não conhece ninguém e também não tem emprego, é melhor trazer um bom dinheiro de poupança ou então nem vir, corre um sério risco de gastar tudo e ter que voltar sem nada ou terminar dividindo quarto (não é apartamento não, você leu bem, quarto) com mais 4 indianos(as).

Se você conhece alguém e tem onde ficar, agradeça. Isso já é uma ajuda enorme, que vai te poupar bastante dinheiro e dor de cabeça. Os aluguéis aqui são extremamente caros e em sua maioria pagos adiantadamente por um ano. Em alguns casos você consegue negociar pagar em até 4 vezes por ano mas os cheques têm que ser todos entregues na assinatura do contrato. Além disso existem depósitos de segurança que têm que ser pagos para ativar a água+luz, ar condicionado (não dá pra viver sem aqui), TV+ Internet etc. Quando você aluga um apartamento ainda tem que pagar 5% do valor do aluguer pra o agente imobiliário e um depósito de segurança ao senhorio de também 5%. Tendo em consideração que um apartamento de apenas um quarto em áreas razoáveis anda entre 45 – 65 mil reais por ano, já viu né?

Frutas e comida são em geral mais caras do que no Brasil e em Portugal, bebida alcoólica é caríssima. Carros, gasolina e com certeza eletrodomésticos, celulares, computadores e afins são mais baratos do que no Brasil mas não porque é barato aqui e sim porque no Brasil é uma roubalheira. Preços desses items saem a mesma coisa do que em Portugal. Ouro, diamantes, pérolas, jóias, também são mais baratas, mas quem tem dinheiro para isso quando chega?

Sharjah, Ajman, Ras Al Khaimah, Fujairah e Umm Al Quaimm são os Emirados mais baratos, Dubai e Abu Dhabi são os mais caros mas também os mais interessantes e mais liberais para morar. Se quer vir para cá mas não consegue se sustentar nas capitais, estudar os Emirados mais baratos pode ser uma boa ideia. Sharjah é um dos Emirados mais restritos, lá não se pode beber álcool nem em hotéis, então estude bem as opções antes de fazer suas escolhas, o amigo Google ajuda.

Dica no.5 – Se prepare para perder momentos especiais

Parece meio óbvio e não é uma dica específica aos Emirados mas quando você sai do seu país, deixa sua família para trás e está num lugar novo, sem muitos amigos, é bastante normal sentir saudade claro, tristeza também. Isso pode ser bem pior em dias especiais como aniversários, casamentos, nascimentos, batizados, falecimentos, Natal, etc.

Eu já vi muita gente pirar e querer desistir ou desistir mesmo por não conseguir ficar longe da família. Não tem como não sentir as coisas mas, venha bem consciente que é impossível você presenciar tudo. Talvez você consiga planejar pra ir no aniversário de 80 anos da sua avó mas vai perder o casamento da sua melhor amiga, sempre vai ser assim, você sempre vai perder alguma coisa.

Tente racionalizar isso de antemão, entender que você fez uma escolha e que existem prós e contras nessa escolha, o maior dos contras sendo justamente esse, você não estar lá em todos os momentos importantes. Se isso te parece impossível de ultrapassar, fique por aí mesmo. Saiba que com o tempo você vai se acostumar e vai construir sua vida em outro lugar mas nunca desaparece e sempre deixa um pouco de culpa. Morar fora não é para todos.

 


A política de consumo de drogas em Portugal

Portugal se tornou, em 2001, o primeiro país europeu a abolir oficialmente todas as penas criminais para posse e consumo pessoal de drogas, incluindo cannabis, cocaína, heroína e metanfetamina. Isso quer dizer que, desde desse ano, ninguém que tem drogas para consumo pessoal é preso. A produção e o tráfico continuam sendo atividades ilegais e puníveis por lei com penas de prisão.

O país tinha um problema com drogas – seus usuários, na sua maioria, terminavam sem emprego, sem abrigo, nas ruas, trazendo outros problemas para a sociedade.

Uma comissão nacional foi encarregada de resolver o problema e a decisão que tomaram foi a de substituir a pena de prisão por terapia. Prisão sai mais cara do que o tratamento – então por que não oferecer serviços de saúde e prevenção, tentar recuperar as pessoas em vez de encher ainda mais as prisões já sobrelotadas?

Os usuários são encaminhados para um painel constituído por um psicólogo, assistente social e assessor jurídico para tratamento adequado (que pode ser recusado sem punição criminal porém pode ser substituído por uma multa). Existem centros, as regularmente chamadas “casas de chuto”, onde usuários de droga podem consumir em ambiente seguro, com agulhas novas, enfermeiros acompanhando e onde em paralelo, são incentivados a aderir ao tratamento.

Muitos foram contra, apoiam uma “guerra” às drogas,  sem perceber que o fruto proibido é sempre o mais apetecido. Falaram que o experimento seria um desastre, que traficantes tomariam conta, que os usuários iriam se multiplicar e que viraria uma cidade de “turismo de droga”. Pois bem, estavam enganados.

O que aconteceu em Portugal, foi que a despenalização, em colaboração com o apoio público providenciado, trouxe menos tabu, mais informação e mais educação sobre o assunto. O assunto “droga” é discutido nas escolas, na televisão, na comunidade e deixou de ser um bicho de sete cabeças.

A maioria da população está consciente dos seus efeitos, das consequências do seu consumo e portanto mesmo em épocas conturbadas como a adolescência, preferem ficar em porto mais seguro e quando consomem, na sua maioria, são drogas consideradas leves, como cannabis. Mas a melhor parte é que, a comunidade tem apoio, tem para onde se virar se precisar de ajuda, para si ou para um dos seus. O programa funciona.

Vamos a fatos:

O consumo dos adolescentes portugueses aumentou numa primeira fase, antes e após a descriminalização, mas estabilizou quando o efeito novidade se foi. Portugal é hoje o país com as menores taxas de consumo de drogas entre jovens da Europa.

Em 2001, mais de 100 mil portugueses eram viciados em heroína. No ano passado, o número caiu para 30 mil – muitos deles em fase de tratamento. O consumo regular de drogas pesadas no geral, regrediu após a descriminalização, tendo passado de 7,6% para 6,8%.

Como os toxicodependentes portugueses podem obter seringas descartáveis, a descriminalização parece ter reduzido consideravelmente o número de contaminações com HIV (267 ocorrências em 2008, contra 907 em 2000). Há ainda uma diminuição das mortes por overdose e hepatites.

O número de detidos por delitos relacionados com drogas diminuiu mais da metade e atualmente representa apenas cerca de 21%.

Vale notar que ao contrário do que certos países sugerem com a liberalização total, Portugal não controla o grau de pureza das drogas nem a dosagem de consumo, e não arrecada um centavo em receitas fiscais da sua venda. Os circuitos de abastecimento e distribuição continuam nas mãos do crime organizado, o que quer dizer que o problema não desapareceu completamente.

As vantagens são notórias, mas não foi de um dia para o outro. Despenalizar por si só não funciona. É preciso toda uma estrutura de educação, apoio psicológico, médico e jurídico por trás para ter sucesso. Nem todos os países estão capacitados para isso mas é com certeza um bom exemplo.

Site do SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências – http://www.sicad.pt/pt/Paginas/default.aspx

 


Qual a idade de um héroi?

O mundo está precisando de inspiração! Todos os dias abro o jornal e… minha nossa! Não estamos nos saindo bem com nosso ambiente, nosso planeta, com os animais, com outros humanos, com nada. Estamos desesperadamente precisando de mais “humanidade” e menos futilidade.

Decidi procurar inspiração, humanos que fizeram a diferença na vida dos outros, pela positiva. Pessoas que deveriam ser famosas e nossas referências de celebridade, em vez de gente com parafina no cabelo, silicone nos lábios e merda na cabeça.

Me deparei com uma história interessante, de um menino que cresceu em sofrimento mas em vez de se vitimar como a maioria faz, teve a coragem de enfrentar o que tinha que enfrentar. Morreu com apenas 12 anos e provavelmente fez mais por essa tal de humanidade do que eu, você e muitos milhares de outras pessoas juntas.

CaptureIqbal Masih nasceu no Paquistão em 1983. A sua família era bastante pobre e quando tinha apenas 5 anos foi entregue a um comerciante local, dono de uma fábrica de tapetes, como “pagamento” por uma dívida de sua mãe.

O acordo era que o menino trabalharia e o seu salário de seria inteiramente para abater a dívida mas, o empregador sempre alegava juros pelo atraso de pagamento, custos de “aprendizado” do menino, e a dívida nunca diminuiu, pelo contrário.

Iqbal trabalhava 14 horas por dia, 7 dias por semana, com 30 minutos de intervalo. Apanhava frequentemente, sofria abuso verbal e trabalhava amarrado na sua cadeira com correntes.

Devido às intensas condições de trabalho e má alimentação, tinha apenas 1,21 cm e pesava 27.2 Kg.

Aos 9 anos, Iqbal ouviu dizer que a escravidão foi declarada ilegal no Paquistão e junto com um grupo de amigos, elaborou um plano de fuga. Livre, correu para uma esquadra de polícia para prestar queixa. Infelizmente, a corrupção não é exclusiva do Brasil e a polícia  devolveu os meninos ao comerciante em troca de dinheiro. Foram castigados sendo mantidos amarrados de cabeça para baixo por alguns dias.

Isso não o fez desistir. Conseguiu fugir novamente um ano depois e se filiou à Comissão de Liberação de Trabalho Escravo do Paquistão, onde aprendeu todos os seus direitos.

Cheio de energia e com muita paixão pela causa, se voluntariou para ser orador da Comissão. Fazia discursos empolgados, contando sua histórias, seus sofrimentos, e elucidando sobre regras, direitos, deveres e ilegalidades trabalhistas.

Era tão emotivo nos seus discursos que virou um símbolo mundial da luta contra a escravidão e o trabalho infantil, e viajou o mundo levando sua palavra e seu pedido de ajuda.

Mas não ficou pela teoria. Além de seus discursos, Iqbal se infiltrava nas fábricas, e elucidava os “colegas” sobre seus direitos, incentivava os trabalhadores escravos, na sua maioria crianças, a fugirem, a se liberarem, a prestar queixa. É estimado que tenha ajudado cerca de 3,000 crianças, provavelmente muitas mais por via indireta.

Em paralelo, estudava a um ritmo acelerado – completou o equivalente a 4 anos de estudos em apenas 2. Queria ser advogado.

Claro que tanta determinação trouxe muitos inimigos. Iqbal foi ameaçado várias vezes e no dia 16 de Abril de 1995, pouco depois de retornar de uma viagem aos Estados Unidos, enquanto voltava da escola de bicicleta com os amigos, foi assassinado com um tiro nas costas. Centenas de pessoas foram ao seu funeral.

Ele recebeu o Prémio Honorário Crianças do Mundo em 2000, post-mortem, e inspirou a criação de várias organizações, como a Free The Children e a Iqbal Masih Shaheed Children Foundation. Existem livros publicados contando sua história e o Congresso dos Estados Unidos até criou o Prémio Iqbal Masih Para a Eliminação do Trabalho Infantil.

No Brasil, estima-se que 81 mil crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos de idade, 473 mil entre 10 e 13 anos e cerca de 3 milhões entre os 14 e 17 anos sejam forçadas a trabalhar.

Como dizia Iqbal “Crianças devem segurar lápis, não ferramentas de trabalho”.

Se inspire. Faça a diferença. Não compre itens que sabe que provêm de trabalho infantil, denuncie se souber que está acontecendo perto de você e se puder até, espalhe a palavra, contribua com seu tempo, seu dinheiro, ou apenas não sendo cego.