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Tourmalina da paraíba

O Brasil é um país de preciosidades imensas mas poucas delas são tão lindas, mágicas e cativantes como a tourmalina da paraíba.

Pedra originária da Paraíba

Foi descoberta em 1989 por Heitor Dimas Barbosa, que passou cerca de 5 anos escavando as encostas do estado da Paraíba (Mina da Batalha), atrás de seu palpite de que havia algo precioso por ali.

Com certeza ele soube que havia achado o que procurava quando viu e segurou nas mãos, pela primeira vez, a pedra azul-esverdeada com um brilho incandescente.

Análises posteriores demonstraram que esse efeito é causado pela presença de cobre e manganês. A presença de cobre é tão intensa nas pedras da Paraíba que às vezes as inclusões encontradas são de cobre quase puro.

A tourmalina da paraíba, ou  tourmalina elbaite cuprico como também é chamada devido à sua composição, foi introduzida ao mundo das pedras preciosas no show anual de gemas de Tucson em 1990 e virou imediatamente uma sensação. Nos anos seguintes a procura era tão grande e havia tão poucas pedras disponíveis que era quase impossível para os traders obterem stock.

Dois espécimens venderam em Tucson na época por cerca de 3,000 USD (dólares) por carat. Parecia caro mas hoje em dia é um preço considerado até barato para os valores que essas pedras atingem, muitas vezes de mais de 10,000 USD por carat.

Para colocar a sua raridade em perspectiva, para cada 10,000 diamantes existe 1 tourmalina da paraíba, sendo uma das gemas mais raras e exclusivas do mundo.  Especialmente se falarmos de pedras acima de 3 carats originárias do Brasil que são raríssimas, quase impossíveis de achar!

Em 2001 foram descobertas gemas semelhantes na Nigéria, num espectro maior de cores – de verdes a violetas – que também continham cobre, incluindo o azul-esverdeado, embora a saturação da cor não fosse tão boa quanto a Brasileira.

Em 2005, uma nova descoberta feita em Moçambique revelou também um vasto espectro de cores de pedras com composições semelhantes, passando pelo azul-esverdeado, com uma cor muito parecida a Brasileira. Na verdade, a pedra de Moçambique tem muitas vezes maior claridade do que a da Paraíba e aparece em tamanhos maiores.

 

Com essas descobertas de gemas de composições químicas parecidas à Brasileira se iniciou uma discussão sobre o nome – como poderiam chamar pedras originárias de Moçambique ou da Nigéria, tourmalinas da Paraíba?

Pedras da Nigéria Foto com direitos autorais da Barker & Co.

Terminaram concordando usar o paraíba sem usa a letra P maiúscula, como indicação de categoria e não de local geográfico.

A maioria dos certificados gemológicos atuais feitos para essas gemas normalmente exibe os dois nomes – diz algo como “Tourmalina elbaite cuprico (também conhecida como tourmalina da paraíba)”.

Apesar de serem exclusivas e muito raras também, nenhuma das pedras oriundas dos outros locais tem o brilho incandescente da pedra Brasileira e portanto nenhuma é tão famosa, desejada ou cara como a tourmalina original da Paraíba.

 

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Política de senso comum

Política, do Grego politikos, significa “de, para, ou relacionado a grupos que integram a Pólis”. Pólis, por sua vez, significa cidade-Estado, comunidade, coletividade, sociedade. Denomina-se então a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

Na política, os termos  “esquerda” e “direita” apareceram durante a Revolução Francesa de 1789 e o Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei que ficaram sentados nas cadeiras à direita do presidente e simpatizantes da revolução na sua esquerda.

A partir do início do século XX, os termos Esquerda e Direita passaram a ser associados a ideologias políticas específicas e foram usados para descrever crenças políticas dos cidadãos, substituindo gradualmente os termos “vermelhos” e “reação” ou “republicanos” e “conservadores”. Em 1914, a metade esquerda da legislatura foi composta por socialistas unificados, republicanos socialistas e radicais socialistas, enquanto os partidos que foram chamados de “esquerda” agora se sentam do lado direito.

Havia assimetria na utilização dos termos direita e esquerda pelos lados opostos. A Direita negou que o espectro Esquerda-Direita fosse significativo porque o viam como artificial e prejudicial à unidade. A Esquerda, no entanto, buscando mudar a sociedade, promoveu a distinção.

No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda.

Hoje em dia temos esquerda, direita, centro e outras variações e o que não temos é senso comum na política. Em vez de definirmos política em prol da localização das suas cadeiras, devíamos dar uns bons séculos de passos atrás e voltar à definição grega – a ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados, de comunidades ou coletividades.

O político que se define como de “esquerda” ou de “direita” não pode começar bem. Como pode algum ser humano ter apenas uma visão do mundo aplicável a todas as coisas? Como pode alguém se classificar como “esquerda” ou “direita” se o mundo é mutável, se existem várias perspectivas para a mesma questão, várias argumentações lógicas para cada problema que não estão nem certas nem erradas, muitas vezes estando as duas coisas ao mesmo tempo. O fato de escolher um lado, significa inflexibilidade, quando especialmente na política, deveríamos estar preparados para evoluir, aprender e escolher o melhor possível, não vendo apenas um lado, mas enfrentando os problemas com “visão de helicóptero”, vendo as questões de cima e sempre procurando achar as soluções que trazem resoluções finais, estáveis e com menos consequências negativas para todos os envolvidos.

Se até a E.L. James achou 50 tons de cinza, será que a política humana, a administração de seres tão complexos como nós se pode definir em um punhado de direções?

Na verdade, eu acho que partidos políticos deveriam ser abolidos e os indivíduos deveriam se candidatar para posições governamentais de forma independente, assim como fazemos quando nos concorremos a vagas de trabalho em qualquer empresa.

O País pode se comparar a uma grande empresa em termos de gerenciamento. Tem vários departamentos – Financeiro, Recursos Humanos, Vendas, Compras, etc. – existem objetivos, alvos a serem alcançados. A dedicação e honestidade deveriam ser prioridade, assim como a performance e o trabalho de equipa.

As empresas não trocam todos os funcionários no mesmo período. Elas abrem vagas, contratam examinando experiência, avaliando capacidade, profissionalismo, performance. E demitem caso a pessoa não esteja cumprindo suas obrigações com qualidade.

Sugiro isso porque não concordo que só um partido possa estar no poder, não concordo que se um Ministro, Deputado, ou até Presidente, esteja fazendo um bom trabalho, tenha que ser trocado aquando a troca de governo, muitas vezes sendo substituído por alguém não tão eficiente. Assim como não acredito que um incompetente deva ficar num cargo porque é tio, primo ou dorme com alguém importante. Acredito que a competição eleva a qualidade de serviço. Imagine ministros de diferentes partidos, com diferentes visões e experiências, tendo que considerar essas experiências e chegar a um consenso. Penso que existe uma chance de termos uma política mais equilibrada, com menos lobbies e mais considerativa com o povo.

Em vez de escolhermos partidos, deveríamos estar focados em escolher indivíduos, bons gestores, pessoas eficientes, honestas e dedicadas que de fato queiram fazer um bom trabalho e fazer do País um lugar melhor para todos.


Entrevista para o “I am Gringo”

Recentemente dei uma entrevista para o blog “I am Gringo”, projeto muito bacana do Matheus Lozzi em que Brasileiros contam suas experiências sobre como é morar fora do Brasil, em outros países, enfrentando outras culturas e costumes, no meu caso, em Dubai. Adorei participar e partilho aqui o conteúdo da entrevista. 

Blog do Matheus para outras histórias maravilhosas  – http://iamgringo.blogspot.com.br/ 

A entrevista:

Você mora sozinha? Com quem mora? 

Moro sozinha, quer dizer, nem tão sozinha assim, tenho dois cachorros rs.

 
Há quanto tempo está no país? 
Na verdade essa é a segunda vez que moro em Dubai. Eu vim para cá pela primeira vez em 2008, fiquei até 2011 e depois fui para o Brasil. Passei 11 meses em São Paulo, 8 meses em Recife e voltei para Dubai. 
 
Com o que você trabalhava no Brasil e qual o seu trabalho atual? 
Eu sou formada em Bioinformática, mas quando vim para Dubai não tive muita hipótese de seguir essa carreira e mudei meu rumo para administração. Fui Coordenadora de Administração, Secretária Executiva. E tanto no Brasil como aqui sempre me mantive nessa linha de trabalho. 
 
O que te levou a sair do Brasil? 
Quando vim para cá pela primeira vez eu não estava no Brasil, na verdade estava em Portugal, me formei lá. Eu adoro o Brasil, mas o país ainda tem muito que melhorar. Na verdade o país é perfeito, as pessoas é que são o problema. A nossa mentalidade e a nossa educação é que têm que mudar. Temos tudo – os recursos naturais, riquezas, tudo, mas a corrupção, a falta de educação e a violência fazem o que é perfeito virar uma dúvida. Quem quer correr o risco de morrer mesmo que seja numa paisagem linda? Pagar o triplo por um celular ou o dobro por um carro e ter uma Copa que custa mais do que as 3 últimas juntas? Ou pagar impostos e ver a estrada esburacada? Mas não há melhor lugar no mundo do que o Brasil.
 
 
 
Porque escolheu os EAU e Dubai? 
Da primeira vez vim porque meu namorado estava trabalhando aqui e eu me joguei. Voltamos para o Brasil juntos, mas entretanto nos separamos e eu decidi voltar a Dubai. Já tinha uma história aqui, amigos, conhecidos e me pareceu uma boa escolha. 
 
Conhece o Idioma? Já conhecia quando se mudou? 
Não falo Árabe. Até hoje é difícil, entendo mais ou menos o assunto sobre o qual estão falando e algumas palavras, mas não falo. O que também não é um problema, porque nos Emirados apenas cerca de 17 % da população é emirati, tem tanto estrangeiro de tantos lugares diferentes no mundo que todo mundo fala Inglês, e esse eu já conhecia e era fluente antes de vir para cá. 
 
Qual o custo de vida? É mais barato ou mais caro em relação à sua cidade natal? 
Depende. Aluguel é mais caro, bebida e saídas são mais caros. Porém, carro, gasolina, eletrônicos, tudo isso é mais barato, bem mais barato. Em termos de feira não é muita diferença, tem uns itens mais caros e uns mais baratos, mas no final a conta sai mais ou menos a mesma coisa. 
 
Qual a relação de infraestrutura da cidade você faz com sua cidade natal? 
Aqui que está a diferença. Tudo é melhor. As estradas aqui são mantos, acho que nunca vi um buraco e se vi não lembro. Transporte público aqui ainda não tem todas as rotas ativas (lembrando que os Emirados têm apenas 42 anos de independência), mas o metrô aqui é lindo, nunca atrasa, é barato, os ônibus a mesma coisa. Para se ter ideia, aqui as paradas de ônibus são fechadas e com ar-condicionado. Hotéis tem os melhores do mundo, incluindo o único 7 estrelas. A cidade é limpa demais, tem escolas e faculdades de todos os lugares (escola francesa, indiana, alemã, inglesa, tudo) e os hospitais aqui também são bem bacanas embora quase todo mundo tenha plano e fácil acesso às clínicas privadas. Dá pra ver bem que o problema do Brasil é de má gestão. 
 
 
O que te chamou atenção na cultura do país? 
Eu gosto da cultura árabe. Têm várias coisas curiosas e sei que às vezes muitas pessoas pensam que todos são extremistas, mas não é assim. O árabe é extremamente devoto à família, isso me agrada bastante – a palavra dos mais velhos é ouvida, o respeito que têm com avós, pais, o jeito com que as crianças são tratadas, dão muito valor às suas famílias. 
 
Tem alguma história engraçada/inusitada que aconteceu com você aí? 
Vou contar uma que não é engraçada, mas reflete bem umas das coisas que mais gosto daqui, a segurança. Estava uma vez passeando com um visitante aqui numa loja e ele terminou colocando a câmera fotográfica digital no balcão e esqueceu ela lá. Fomos ao cinema, jantamos e antes de sairmos do shopping ele se deu conta que tinha perdido a câmera. Fizemos a nossa rota no sentido inverso e terminamos achando a câmera lá, no mesmo lugar onde ele deixou, ninguém nem tocou. Adoro isso! Uma história engraçada é que aqui não permitem manifestações de afeto em público, um dia estava com meu namorado no shopping, dei um beijo nele e fomos chamados à atenção pelo segurança, que nos informou prontamente que beijar não era permitido. 
 
O que do Brasil te faz mais falta? Em que momento você sente/sentiu mais saudade? 
Sinto mais falta da família e dos amigos, não paro de sentir saudade, mas acho que bate mais forte quando chega Natal, final de ano, aniversário ou quando você perde o casamento da sua amiga de infância, da sua prima, esses momentos são os piores. E eu estou muito longe, para chegar em Recife demoro mais de 20 horas, não é 1 vôo só, não é rápido e é muito caro também. 
 
Do que você não sente falta no Brasil? 
Deve ser provavelmente o que todo mundo fala, mas não sinto falta da impunidade, da violência, da corrupção e da falta de educação. 
 
Você gosta da comida local? É muito diferente da brasileira?
Árabe não come porco, então já é uma grande diferença, porém eu particularmente gosto bastante da comida local. Comem muito bode para além de galinha e bife, arroz e bastantes vegetais cozidos. A sopa de lentilha é típica, uma pasta de grão de bico que com azeite e especiarias que eu adoro chamada Hummus e que com o pão deles fica maravilhoso. Em Dubai tem restaurantes de todos os lugares do mundo – churrascaria brasileira, restaurante português, tailandês, filipino, afegão, espanhol, francês, italiano, tudo mesmo, então você não é “obrigado” a comer comida local se não quiser, tem muita oferta. Até porco você encontra em alguns supermercados, numa secção que diz “Para não Mulçumanos”, normalmente um canto mais escondido com uma entrada pequena onde tem uma área dedicada ao porco, para quem não consegue viver sem. 
 
 
O que você costuma fazer nos momentos de folga? Quais os programas e lazeres existem para se fazer na cidade?
Eu já estou aqui há algum tempo então já tenho bastantes amigos, sempre tem churrasco na casa de um, almoço na casa de outro ou marcamos alguns encontros em restaurantes/bares para relaxar, algumas happy hours. Dubai é muito turístico então tem muitas atrações. É a terra dos Shoppings, então se gostam de fazer compras aqui é o melhor lugar que tem. Para além disso tem várias coisas surpreendentes –  tem uma pista de Sky dentro de um shopping, outro shopping tem o maior aquário do mundo interno, além de um parque de diversões da Sega enorme, bem legal, tem os parques aquáticos como o Aquaventure ou Wild Wadi que são muito legais e as praias, que também são bonitas, mas nada comparado com o Brasil e não tem ondas. Fora as rotas mais turísticas como um bar de gelo, fazer um safari no deserto, visitar o prédio mais alto do mundo, tomar um café da manhã no Burj Al Arab (Torre das Arábias), que é um dos cartões postais de Dubai, o único hotel 7 estrelas do mundo e onde você vai encontrar os melhores carros na porta rsrs. Em Dubai não falta o que fazer, a noite aqui também é muito boa, muitos shows toda a hora, sem contar que pode visitar os Emirados vizinhos, como Abu Dhabi e ir visitar a pista de F1 da Yas Island, ver o Ferrari World e andar na montanha russa mais rápida do mundo, ver corrida de drag, enfim, não falta o que fazer. Aqui tem realmente de tudo. 
 
Você encontrou algum problema para obtenção de documentos e vistos?
Não, nenhum. Eu já vim com emprego então foi muito fácil. Mandei a cópia do passaporte, umas fotos com fundo branco, respondi umas perguntas fáceis (nome de pai, mãe, etc) e a empresa mandou um visto de entrada. Peguei no aeroporto, passei na imigração e uns dias depois fui num centro que tem aqui, tirar a Emirates ID e fazer os exames médicos para o visto de residência. Fazem um raio-x e um exame de sangue, tiram suas digitais e sua foto, o visto de residência sai em uns 3 dias e o Emirates ID demora uns 15. Em geral esse tipo de coisa aqui é fácil, mais complicado e burocrático são coisas como abrir conta de banco e abrir uma empresa por exemplo. Mas vistos, alugar casa, comprar carro, costuma ser relativamente fácil e rápido. 
 
O que você menos gosta na cidade, ou no país?
Dubai é maravilhoso, mas é uma cidade sem alma. Todo mundo está aqui de passagem, não se vê muita gente fazendo de Dubai “a sua casa”. Todo mundo vem com um plano para voltar. Eu gosto daqui, respeito muito o Sheikh e o acho um homem com uma visão admirável, gosto do que ele está fazendo com a cidade, no entanto acho que faltam algumas coisas para que seja um local normal, mais habitável de verdade, onde as pessoas possam realmente se estabilizar. Não é uma cidade preparada para caminhar por exemplo. Tem alguns parques e um lugar perto da praia onde tem 1km de calçadão e é isso, fora disso apenas alguns bairros são “caminháveis” e apenas dentro deles. Tudo se faz de carro, não dá pra calçar um chinelo e ir comprar leite na padaria, tem que pegar um carro e ir num supermercado ou talvez num shopping. Não se vê velhinhos na janela espiando nem crianças brincando na rua ou cachorros passeando. Em alguns lugares nem é permitido ter cachorro ou passear com eles na rua, por exemplo. Pessoas acima de 60 anos que não estejam trabalhando são convidadas a sair, eles não dão visto de residência a doentes e se você pegar AIDS ou Tuberculose te mandam embora, além de que não tem jeito de você pegar a nacionalidade a menos que seja filho(a) de um homem Emirati, que case com um homem Emirati (se for mulher) ou que o Sheikh te dê por algum motivo, como ele faz por exemplo com alguns grandes investidores.
 
 
Qual a relação dos nativos com brasileiros? Você possui amigos emiratis?
Os Árabes em geral adoram brasileiros e aqui não é diferente. Não posso dizer que sou amiga de emiratis, dos árabes locais. Tenho alguns conhecidos, mas não chego a socializar com eles, apenas os conheço por relações profissionais ou de passagem. Eles são mais fechados e a vida deles também é muito surreal para a maioria dos seres humanos mortais rsrs. Tenho amigos árabes mas de outras regiões, como palestinos e egípcios por exemplo. 
 
O que é falado sobre o Brasil por aí?
Mulheres bonitas, futebol (Ronaldinho) e festa. Os clichês de sempre. Quando os homens aqui, árabes ou não, descobrem que sou brasileira, chegam a ficar com um brilho no olho, o jeito de falar fica mais suave, um perigo! rsrs
 
Gostam da música brasileira? Como é a repercussão das nossas músicas? 
Michel Teló, Berê berê berê e o Kuduro versão brasileira passam aqui, eles gostam dessas músicas, para eles são exóticas e animadas. MPB e tal nunca escutei nas rádios aqui e nem acho que eles conheçam. 
 
Quais são os principais ídolos atualmente no país?
O maior ídolo do país é o Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, mais conhecido apenas como Sheikh Zayed. Foi ele que começou a mudar o país e iniciou a transformação que deu origem ao que o UAE é hoje. Quem imaginava que seria possível transformar um deserto, onde fazem quase 50 graus de calor no verão, num dos destinos turísticos mais famosos do mundo? Lembrando que o UAE como país tem apenas 42 anos. Incrível certo? Eu acho. Ele é amado por emiratis e até por expatriados. Teve pai e irmão mais velho assassinados, viveu com os beduínos para aprender os costumes do povo e quando foi nomeado governante não existia petróleo, o país era pobre e ele governava sempre tendo em mente o seu povo. Quando a exploração ao petróleo começou, ele coordenou todo o processo, fazendo o seu povo rico e dando tudo do bom e do melhor possível. Se fosse no Brasil teria feito só a família dele milionária né? rs. Faleceu em 2004 e penso que será sempre o maior ídolo de todos aqui. 
 
O que você costuma assistir na TV?
Canais estrangeiros, porque os árabes não entendo. Aqui não passa Globo nem nada brasileiro, vejo séries e filmes americanos ou britânicos nos canais Fox, MBC, esse tipo de canal. Canais de esporte têm muito e consigo ver jogos de tênis, MMA e futebol, inclusive a liga Brasileira às vezes. 

Há alguma mania/febre no país atualmente?
Bem, como estamos entrando em época de grandes eventos esportivos – o Rubgy 7 (campeonato de Rugby), o F1 de Abu Dhabi e o sub-17 de futebol, esses são os focos do momento. 
 
Você conheceu/utilizou algum produto ou serviço que recomendaria a ser utilizado no Brasil?
Adoro um serviço chamado E-gate que tem aqui. Basicamente todos os residentes tiram um cartão associado aos seus passaportes e Emirates ID (que é o documento de identificação usado aqui) e o que acontece é que você não precisa passar na imigração nem na entrada, nem na saída do país. Basta escanear o cartão numa maquininha, botar a sua digital e pronto, entrada ou saída registradas. Sem filas, sem complicação, rápido e fácil, adoro. 
 
Quais são os 3 esportes mais populares no país?
Corridas de Cavalo e Futebol são os esportes nacionais favoritos. Devido à grande quantidade de estrangeiros, o Cricket e o Rugby também fazem sucesso por aqui, mas não com os nacionais, mais com os expatriados.
 
A população se envolve muito com a política emirati?
Bem, a política aqui é diferente. Não é uma república, não é uma democracia, aqui temos uma monarquia hereditária então basicamente tem um Sheikh que é também o dono do Emirado e de tudo o que se encontra nele, que tem um Governo onde tem seus consultores e o que ele diz, é lei. A sorte é que o Sheikh ama muito sua terra e seu povo, e tudo o que faz protege o seu país e os locais, portanto você não ouve queixas. Não sei se eles têm muito voto na política, mas se houver algo que desagrade no geral o Governo é com certeza revisado. 
 
Você gosta da música do país? Tem algum cantor/banda que recomenda?
Gosto de música árabe para dançar, mas não sei cantores, bandas e nem entendo nada do que dizem. Gosto apenas de fingir que sei dança do ventre o suficiente para brincar de dançar de vez em quando, rs.
 
Conhece alguma história (ou lenda) da cultura que pode contar?
Para ser sincera não conheço nenhuma lenda local, nunca escutei e experimentei pesquisar e também não encontrei grandes relatos, mas imagino que devam existir porque os emiratis descendem e alguns ainda são beduínos e muitos também eram ou são pescadores, ou seja, no mar e no deserto, não é possível que não hajam contos fantásticos, porém não tenho nada local. Sei que existem vários mitos árabes, mas vindos da religião, não do local. 
 
Existe algum programa do governo que lhe chame a atenção?
O programa de estudos aqui para os emiratis é muito bom. Basicamente o governo patrocina os estudos dos emiratis em qualquer parte do mundo. Então se quiser estudar em Harvard ou no MIT, desde que consiga entrar na faculdade, o governo paga. Bom né? Mas não penso que seja possível em muitos países do mundo, rs. Aqui funciona porque a população local não é tão grande assim e o país é muito rico, além de que como muitos já têm a vida ganha, nem todos terminam seguindo seus estudos.
 
Pensa em voltar para o Brasil?
Penso sim. Na verdade estou pensando em organizar minha volta já, para o próximo ano. Porém, as coisas podem mudar. Gosto de manter as opções em aberto e, por experiência própria, sei que os planos mudam quando menos se espera.
 
 
Qual o seu sentimento pelos Emirados Árabes?
Adoro os Emirados, especialmente Dubai. Vivi coisas incríveis aqui profissionalmente, pessoalmente e até momentos históricos como a inauguração do prédio mais alto do mundo! Sempre vou lembrar da enorme experiência de vida que me proporcionou, de todo o crescimento que tive aqui e espero, mesmo correndo o mundo ou estando onde for, sempre poder dar um pulinho aqui pra ver como estão evoluindo as coisas, quem sabe a cada 5 anos, como turista. 
 
Se tivesse um filho, quais características ensinaria/gostaria que ele tivesse do jeito brasileiro e da maneira emirati de ser?
Do jeito brasileiro sem dúvida a festividade, a alegria e o calor humano. Dos emiratis o respeito pela família, pelos mais velhos principalmente. 
 
Que conselhos você daria a quem pretende visitar ou até mesmo se mudar para o país?
Para quem vem visitar apenas que faça um bom trajeto, programe bem as atrações e tente ver o máximo possível. Para quem se mudar aconselho que venha com um bom inglês, que tenha já algum trabalho ou propostas em mente e que não se iludam, pois aqui sim os salários são maiores do que no Brasil (só não ter imposto já ajuda), mas se trabalha muito e também não é tão barato morar aqui, além de que a cidade oferece muitas opções e se não vier confortável, não vai aproveitar nada. Para ambos digo que se inteirem bem das leis e comportamentos que são e não são aceitos aqui, para que não desrespeitem a religião e cultura dos locais, afinal, o país é deles. 

 


Um à parte no mood bom do blog – CALEM A BOCA, NORDESTINOS!


Por José Barbosa Junior

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos…

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.

Transcrito do site – http://www.blogdotiaolucena.com.br/

Marcos Farias

 

 


Brasil x Portugal – Qual o seu palpite?

                                                 VS

Vamos ver quem acerta no dia 25 de Junho às 13h30 (África do Sul e Portugal), 15h30 (Dubai) e 8h30 (Brasil).

Qual é o seu palpite?