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5 dicas para quem quer morar nos Emirados

É um país difícil para novatos. Principalmente por ser tão caro, aqueles que vêm na aventura, sem nenhum plano e apenas com a esperança de achar algum emprego, normalmente gastam suas reservas e vão embora pior do que chegaram.

Dica no. 1 – Inglês

Mesmo que você falasse Árabe perfeitamente, os Emirados têm muitos expatriados, aliás a população é não-Árabe em sua maioria então, se não souber falar Inglês direito, as coisas mais simples como pedir comida num restaurante serão bem complicadas.

Pratique seu Inglês, faça cursinhos online ou o que puder fazer para deixar seu Inglês mais fluente e o menos abrasileirado possível. Línguas adicionais são um plus, como o Espanhol, Francês, Alemão, etc, mas o Inglês é obrigatório.

Dica no. 2 – Comece a procurar trabalho antes de chegar 

Muitas empresas contratam gente que não mora aqui, então é comum aceitarem entrevistas por Skype ou por telefone e às vezes pagam até sua passagem pra você fazer a entrevista pessoalmente. Então o ideal é que você já venha com algo alinhado. Comece por:

  • O LinkedIn é uma das melhores e mais usadas ferramentas de recrutamento nos Emirados. Dê aquele grau no seu CV (em Inglês, óbvio) e poste no LinkedIn. Foto profissional, que mostre toda sua cara mas nada de decotes, bebida na mão etc, deixa isso pro teu Facebook;
  • Se inscreva em sites de emprego no UAE, como monster.com, bayt.com, dubbizzle.com, monstergulf.com, gulftalent.com;
  • Se inscreva nos sites das agências de recrutamento – a Robert Half por exemplo é boa para profissionais que trabalham com Financeiro, a Charterhouse, assim como a Hays, é melhor para pessoas de Administração. Existem várias, MacKenzieJones, McGregor-Boyall, etc.;
  • Aplique nos sites das empresas de seu interesse. Se por exemplo você quer trabalhar com hotelaria, faça uma pesquisa no Google, veja as centenas de hotéis que existem aqui e saia aplicando diretamente nos sites dos hotéis.

Nota: tenha certeza que seu perfil é consistente em todos os canais, posts, etc, não vá cometer o erro básico de dizer uma coisa no seu CV e outra no seu LinkedIn. Os meios se consultam, cuidado para não mentir e perder a reputação de cara.

Se você já sabe que vem para os Emirados de todo jeito e não está esperando ser contratado para poder ter patrocínio na passagem, uma outra dica é colocar seu endereço como se já estivesse aqui. Isso facilitará e aumentará suas chances com aqueles que querem contratar apenas pessoas que já moram nos Emirados. Se te ligarem, você pode sempre dizer que está de férias ou teve que voltar para resolver alguma coisa mas estará de volta no dia X da sua passagem.

É muito importante achar emprego logo. Além de ser um lugar muito caro em que você não vai conseguir se sustentar muito tempo sem uma fonte de renda, é preciso visto para morar e apenas consegue com um emprego ou casando com alguém que tenha visto e possa ser seu sponsor. Se não arrumar emprego, já sabe, o truque é casar logo rsrs.

Ah, e não pense que só porque vem para os Emirados vai chegar sentado(a) em petrodólares como eu sempre escuto porque isso é a maior besteira do mundo. A menos que você já tenha uma carreira brilhante e venha recrutado especificamente por essa carreira, já com tudo mais do que certo, você vai começar por baixo como todo mundo. Se ganha mais aqui do que aí? Ganha sim, mas se gasta muuuiiiitttooo mais também. Você vai penar de todo jeito, ter que comer pão e danone vários dias e viver de salário em salário vários meses ou até anos. A diferença é que se você for profissional, qualificado(a), dedicado(a) e se adaptar rápido, você provavelmente terá uma escalada mais rápida do que no Brasil. Além de ser mais seguro, limpo, etc etc

Dica no. 3 – Procure fazer amigos antes de chegar

Como disse, é um lugar difícil. Se você não conhece ninguém provavelmente se sentirá bastante sozinho(a) e até meio deprimido no início. Se inscreva em grupos de pessoas que moram aqui, como o Brasileiros em Dubai, ou o InterNations, existem vários e são facilmente encontrados no Facebook, Google. Eles sempre organizam eventos, cafés, jantares, festas. Você pode se inscrever antes de chegar, ir conversando com as pessoas pela Internet e quando chegar já se sentirá mais à vontade e terá uma base de conhecidos.

Participe de todos os eventos que puder pelo menos uma vez. Esses grupos são ótimos para fazer contatos profissionais e os Emirados funcionam muito por indicação, é bem possível que uma dessas pessoas seja a pessoa que te indica o caminho certo e você terá a oportunidade de fazer novos amigos.

Acredite que até com amigos você se sentirá sozinho às vezes. Aqui todo mundo trabalha muito, é comum passar 10, 11 horas no trabalho por dia e agendas ficam difíceis de conciliar, então, é importante que tenha diversos grupos de amigos, faça atividade física, namore, viaje, curta bem muito os momentos fora do trabalho para não ficar excessivamente isolado(a).

Dica no. 4 – Venha com algum dinheiro

Ai, como é caro aqui. Tudo é caro mas acomodação nem se fala! Se você não conhece ninguém e também não tem emprego, é melhor trazer um bom dinheiro de poupança ou então nem vir, corre um sério risco de gastar tudo e ter que voltar sem nada ou terminar dividindo quarto (não é apartamento não, você leu bem, quarto) com mais 4 indianos(as).

Se você conhece alguém e tem onde ficar, agradeça. Isso já é uma ajuda enorme, que vai te poupar bastante dinheiro e dor de cabeça. Os aluguéis aqui são extremamente caros e em sua maioria pagos adiantadamente por um ano. Em alguns casos você consegue negociar pagar em até 4 vezes por ano mas os cheques têm que ser todos entregues na assinatura do contrato. Além disso existem depósitos de segurança que têm que ser pagos para ativar a água+luz, ar condicionado (não dá pra viver sem aqui), TV+ Internet etc. Quando você aluga um apartamento ainda tem que pagar 5% do valor do aluguer pra o agente imobiliário e um depósito de segurança ao senhorio de também 5%. Tendo em consideração que um apartamento de apenas um quarto em áreas razoáveis anda entre 45 – 65 mil reais por ano, já viu né?

Frutas e comida são em geral mais caras do que no Brasil e em Portugal, bebida alcoólica é caríssima. Carros, gasolina e com certeza eletrodomésticos, celulares, computadores e afins são mais baratos do que no Brasil mas não porque é barato aqui e sim porque no Brasil é uma roubalheira. Preços desses items saem a mesma coisa do que em Portugal. Ouro, diamantes, pérolas, jóias, também são mais baratas, mas quem tem dinheiro para isso quando chega?

Sharjah, Ajman, Ras Al Khaimah, Fujairah e Umm Al Quaimm são os Emirados mais baratos, Dubai e Abu Dhabi são os mais caros mas também os mais interessantes e mais liberais para morar. Se quer vir para cá mas não consegue se sustentar nas capitais, estudar os Emirados mais baratos pode ser uma boa ideia. Sharjah é um dos Emirados mais restritos, lá não se pode beber álcool nem em hotéis, então estude bem as opções antes de fazer suas escolhas, o amigo Google ajuda.

Dica no.5 – Se prepare para perder momentos especiais

Parece meio óbvio e não é uma dica específica aos Emirados mas quando você sai do seu país, deixa sua família para trás e está num lugar novo, sem muitos amigos, é bastante normal sentir saudade claro, tristeza também. Isso pode ser bem pior em dias especiais como aniversários, casamentos, nascimentos, batizados, falecimentos, Natal, etc.

Eu já vi muita gente pirar e querer desistir ou desistir mesmo por não conseguir ficar longe da família. Não tem como não sentir as coisas mas, venha bem consciente que é impossível você presenciar tudo. Talvez você consiga planejar pra ir no aniversário de 80 anos da sua avó mas vai perder o casamento da sua melhor amiga, sempre vai ser assim, você sempre vai perder alguma coisa.

Tente racionalizar isso de antemão, entender que você fez uma escolha e que existem prós e contras nessa escolha, o maior dos contras sendo justamente esse, você não estar lá em todos os momentos importantes. Se isso te parece impossível de ultrapassar, fique por aí mesmo. Saiba que com o tempo você vai se acostumar e vai construir sua vida em outro lugar mas nunca desaparece e sempre deixa um pouco de culpa. Morar fora não é para todos.

 

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I Love Coxinha

Portugueses e Brasileiros que moram longe de suas casas e têm saudade de um tempero caseiro, um salgadinho gostoso- já provaram a coxinha da Fernanda? Se não provaram ainda, deveriam.

O marido dela que me desculpe mas Poxa, que Coxa! 🙂

Dá realmente para saciar a vontade e a saudade de casa e não são só as coxinhas que são boas, tem empadas, pão de queijo, quiches e docinhos – brigadeiros, beijinho etc – tudo perfeito!

Eu ia dizer que é uma ótima opção para catering de festas mas, quem sou eu pra falar? Sempre que eu encomendo nunca divido com ninguém.

Para quem quiser mais informações: http://www.ilovecoxinha.com/menu/index.html

Putz, me deu água na boca só de escrever o post! E antes que perguntem, não fui paga não, é porque é bom mesmo!

 

 

 

P.S. – Fernanda, se você vir isso e quiser (só se quiser tá) agradecer o post – coxinha, pão de queijo, quiche de brócoli com queijo e risole de camarão, viu? 😀


 


A coragem de pedir desculpa

Há uns anos atrás, tive um pequeno problema com uma menina. Ela chegou uns meses antes de mim em Dubai e veio para morar com seu então namorado, hoje marido e pai de seu filho.

Talvez porque na época ela não tinha um inglês fluente, ficou algum tempo sem arrumar emprego, fazia aulas de inglês mas era basicamente isso. Sua vida era focada, e em volta, da de seu namorado. Seus amigos eram amigos dele que viravam dela, etc. O Dubai daquela época não era o Dubai de hoje. As opções de entretenimento eram limitadas, as coisas eram diferentes e com certezas mais difíceis.

Foi ela que me pegou no aeroporto no dia em que eu cheguei, me recebeu com um belo sorriso e com um cartaz que ela mesmo fez. Embora eu seja um papelzinho de embrulhar prego e ela o meu oposto – sempre delicada, voz meiga – eu a achava divertida e era gostoso quando saiamos juntas, achei que seriamos boas amigas. Talvez também pelo fato de eu ter chegado com 23 anos num lugar totalmente desconhecido, achei que teriamos a nossa situação em comum, e nisso um suporte. E na verdade foi assim que começou.

Fazíamos tudo juntas: sempre estávamos nas mesmas festas, nos mesmos jantares, nos mesmos eventos, cinemas, café, bares, pra terem noção, fui eu que ofereci o seu vestido de casamento.

No lado pessoal, eu estava tendo sorte! Arrumei emprego mais ou menos um mês após minha chegada, eu gostava do trabalho, das pessoas, tudo certo.

Um pouco depois do seu casamento, me arrisco a dizer quase no dia seguinte, tudo mudou. Por algum motivo que eu nunca soube explicar, de um dia para o outro ela parou de falar comigo e começou a vetar qualquer coisa em que eu estivesse envolvida.

Com nossos amigos em comum era – ou ela ou eu; me lembro numa festa que nos esbarramos e que quando eu fui cumprimentar levei uma bela virada de cara. O marido dela chegou a ir na minha casa, debaixo do meu teto, falar merda! Sinceramente já nem lembro muito bem das suas palavras, me lembro apenas de estar na sala pensando “Isso só pode ser brincadeira ou um sonho, não pode ser real”. Se fosse hoje provavelmente teria descido pela janela rs.

Quem me conhece um pouquinho fora do blog, deve estar pensando que estaria pouco me lixando pra tudo isso, não ligo pra nada do que ninguém pensa mesmo e normalmente nada dessas coisas me afecta. E em 98% dos casos estariam certos. Nesse não.

É que essa situação especifica, de acordo com a minha condição naquele tempo, também porque era muito nova, não tinha muitos amigos em Dubai e não sabia lidar com essas coisas (nunca tinha acontecido comigo antes), foi extremamente complicada. Me trouxe muitas brigas, muita tensão, muito sofrimento porque tive que me defender de ataques de todo o canto sozinha e sem nem sequer saber o que tinha feito. E isso era o que mais me incomodava – eu não sabia o que tinha feito, sequer se tinha feito alguma coisa! Eu vasculhei o meu cérebro inteiro, tanto! Tentando lembrar se tinha falado algo, feito algo, mexido, olhado, cheirado alguma coisa que não devia, sei lá. E nao achava!

Mas claro que eu sempre serei eu e como tal, passado alguns meses de tensão, liguei o que eu gosto de chamar o “foda-se”. Sacudi, deixei bem claro que não queria saber, não me interessava, não queria nem bem nem mal, ia apenas ignorar e fingir que não existe, como se fosse um vizinho que se vê passar no corredor mas nem fede nem cheira. Eu interiorizei que o que quer que fosse, tinha sido imaturidade, besteira, bobagem, talvez algum ciuminho e botei de lado.

O post é sobre essa pessoa, que passados quase 6 anos me mandou uma mensagem pedindo desculpa. Mas mais importante ainda, que finalmente explicou o que aconteceu e admitiu que não teve nenhum motivo especifico, foi “apenas” o fato de estar afastada de sua casa, sem emprego há meses, morando num lugar isolado, se sentindo desanimada e sem se reconhecer mais, com energia apagada. Quando eu cheguei toda serelepe, cheia de planos e entusiasmada, o seu lado mais humano se manifestou e ela começou a não me suportar e terminou envolvendo outras pessoas, incluindo seu esposo.

Achei que faz sentido. Na verdade até me identifiquei um pouco. Imagino que o que ela estava sentindo foi mais ou menos o que eu senti quando morei em São Paulo e fiquei sem trabalhar por uns meses numa cidade completamente desconhecida e sem amigos. Embora eu não tenha prejudicado ninguém, fez perfeito sentido que ela se sentisse negativa, pra baixo, irreconhecível. E ás vezes podemos machucar os outros quando estamos assim.

Obviamente ela sentiu alguma culpa todos esses anos. Imagino que deve ter pensando durante muito tempo como falar comigo, como explicar, como dizer. Admiro que tenha conseguido faze-lo. Penso que muita gente não teria nem tem coragem, deixaria passar, esperaria desaparecer no tempo. E depois de tanto tempo, já teria desaparecido, pra mim já tinha desaparecido, ela já estava desculpada.

Esse post é para dizer que afinal aquela pessoa que eu tinha conhecido e me recebeu no aeroporto com um sorriso, é a verdadeira essência e que assim como me ensinou uma lição não tão boa antes, me ensinou uma muito mais importante agora – nunca é tarde para pedir desculpa.


Entrevista para o “I am Gringo”

Recentemente dei uma entrevista para o blog “I am Gringo”, projeto muito bacana do Matheus Lozzi em que Brasileiros contam suas experiências sobre como é morar fora do Brasil, em outros países, enfrentando outras culturas e costumes, no meu caso, em Dubai. Adorei participar e partilho aqui o conteúdo da entrevista. 

Blog do Matheus para outras histórias maravilhosas  – http://iamgringo.blogspot.com.br/ 

A entrevista:

Você mora sozinha? Com quem mora? 

Moro sozinha, quer dizer, nem tão sozinha assim, tenho dois cachorros rs.

 
Há quanto tempo está no país? 
Na verdade essa é a segunda vez que moro em Dubai. Eu vim para cá pela primeira vez em 2008, fiquei até 2011 e depois fui para o Brasil. Passei 11 meses em São Paulo, 8 meses em Recife e voltei para Dubai. 
 
Com o que você trabalhava no Brasil e qual o seu trabalho atual? 
Eu sou formada em Bioinformática, mas quando vim para Dubai não tive muita hipótese de seguir essa carreira e mudei meu rumo para administração. Fui Coordenadora de Administração, Secretária Executiva. E tanto no Brasil como aqui sempre me mantive nessa linha de trabalho. 
 
O que te levou a sair do Brasil? 
Quando vim para cá pela primeira vez eu não estava no Brasil, na verdade estava em Portugal, me formei lá. Eu adoro o Brasil, mas o país ainda tem muito que melhorar. Na verdade o país é perfeito, as pessoas é que são o problema. A nossa mentalidade e a nossa educação é que têm que mudar. Temos tudo – os recursos naturais, riquezas, tudo, mas a corrupção, a falta de educação e a violência fazem o que é perfeito virar uma dúvida. Quem quer correr o risco de morrer mesmo que seja numa paisagem linda? Pagar o triplo por um celular ou o dobro por um carro e ter uma Copa que custa mais do que as 3 últimas juntas? Ou pagar impostos e ver a estrada esburacada? Mas não há melhor lugar no mundo do que o Brasil.
 
 
 
Porque escolheu os EAU e Dubai? 
Da primeira vez vim porque meu namorado estava trabalhando aqui e eu me joguei. Voltamos para o Brasil juntos, mas entretanto nos separamos e eu decidi voltar a Dubai. Já tinha uma história aqui, amigos, conhecidos e me pareceu uma boa escolha. 
 
Conhece o Idioma? Já conhecia quando se mudou? 
Não falo Árabe. Até hoje é difícil, entendo mais ou menos o assunto sobre o qual estão falando e algumas palavras, mas não falo. O que também não é um problema, porque nos Emirados apenas cerca de 17 % da população é emirati, tem tanto estrangeiro de tantos lugares diferentes no mundo que todo mundo fala Inglês, e esse eu já conhecia e era fluente antes de vir para cá. 
 
Qual o custo de vida? É mais barato ou mais caro em relação à sua cidade natal? 
Depende. Aluguel é mais caro, bebida e saídas são mais caros. Porém, carro, gasolina, eletrônicos, tudo isso é mais barato, bem mais barato. Em termos de feira não é muita diferença, tem uns itens mais caros e uns mais baratos, mas no final a conta sai mais ou menos a mesma coisa. 
 
Qual a relação de infraestrutura da cidade você faz com sua cidade natal? 
Aqui que está a diferença. Tudo é melhor. As estradas aqui são mantos, acho que nunca vi um buraco e se vi não lembro. Transporte público aqui ainda não tem todas as rotas ativas (lembrando que os Emirados têm apenas 42 anos de independência), mas o metrô aqui é lindo, nunca atrasa, é barato, os ônibus a mesma coisa. Para se ter ideia, aqui as paradas de ônibus são fechadas e com ar-condicionado. Hotéis tem os melhores do mundo, incluindo o único 7 estrelas. A cidade é limpa demais, tem escolas e faculdades de todos os lugares (escola francesa, indiana, alemã, inglesa, tudo) e os hospitais aqui também são bem bacanas embora quase todo mundo tenha plano e fácil acesso às clínicas privadas. Dá pra ver bem que o problema do Brasil é de má gestão. 
 
 
O que te chamou atenção na cultura do país? 
Eu gosto da cultura árabe. Têm várias coisas curiosas e sei que às vezes muitas pessoas pensam que todos são extremistas, mas não é assim. O árabe é extremamente devoto à família, isso me agrada bastante – a palavra dos mais velhos é ouvida, o respeito que têm com avós, pais, o jeito com que as crianças são tratadas, dão muito valor às suas famílias. 
 
Tem alguma história engraçada/inusitada que aconteceu com você aí? 
Vou contar uma que não é engraçada, mas reflete bem umas das coisas que mais gosto daqui, a segurança. Estava uma vez passeando com um visitante aqui numa loja e ele terminou colocando a câmera fotográfica digital no balcão e esqueceu ela lá. Fomos ao cinema, jantamos e antes de sairmos do shopping ele se deu conta que tinha perdido a câmera. Fizemos a nossa rota no sentido inverso e terminamos achando a câmera lá, no mesmo lugar onde ele deixou, ninguém nem tocou. Adoro isso! Uma história engraçada é que aqui não permitem manifestações de afeto em público, um dia estava com meu namorado no shopping, dei um beijo nele e fomos chamados à atenção pelo segurança, que nos informou prontamente que beijar não era permitido. 
 
O que do Brasil te faz mais falta? Em que momento você sente/sentiu mais saudade? 
Sinto mais falta da família e dos amigos, não paro de sentir saudade, mas acho que bate mais forte quando chega Natal, final de ano, aniversário ou quando você perde o casamento da sua amiga de infância, da sua prima, esses momentos são os piores. E eu estou muito longe, para chegar em Recife demoro mais de 20 horas, não é 1 vôo só, não é rápido e é muito caro também. 
 
Do que você não sente falta no Brasil? 
Deve ser provavelmente o que todo mundo fala, mas não sinto falta da impunidade, da violência, da corrupção e da falta de educação. 
 
Você gosta da comida local? É muito diferente da brasileira?
Árabe não come porco, então já é uma grande diferença, porém eu particularmente gosto bastante da comida local. Comem muito bode para além de galinha e bife, arroz e bastantes vegetais cozidos. A sopa de lentilha é típica, uma pasta de grão de bico que com azeite e especiarias que eu adoro chamada Hummus e que com o pão deles fica maravilhoso. Em Dubai tem restaurantes de todos os lugares do mundo – churrascaria brasileira, restaurante português, tailandês, filipino, afegão, espanhol, francês, italiano, tudo mesmo, então você não é “obrigado” a comer comida local se não quiser, tem muita oferta. Até porco você encontra em alguns supermercados, numa secção que diz “Para não Mulçumanos”, normalmente um canto mais escondido com uma entrada pequena onde tem uma área dedicada ao porco, para quem não consegue viver sem. 
 
 
O que você costuma fazer nos momentos de folga? Quais os programas e lazeres existem para se fazer na cidade?
Eu já estou aqui há algum tempo então já tenho bastantes amigos, sempre tem churrasco na casa de um, almoço na casa de outro ou marcamos alguns encontros em restaurantes/bares para relaxar, algumas happy hours. Dubai é muito turístico então tem muitas atrações. É a terra dos Shoppings, então se gostam de fazer compras aqui é o melhor lugar que tem. Para além disso tem várias coisas surpreendentes –  tem uma pista de Sky dentro de um shopping, outro shopping tem o maior aquário do mundo interno, além de um parque de diversões da Sega enorme, bem legal, tem os parques aquáticos como o Aquaventure ou Wild Wadi que são muito legais e as praias, que também são bonitas, mas nada comparado com o Brasil e não tem ondas. Fora as rotas mais turísticas como um bar de gelo, fazer um safari no deserto, visitar o prédio mais alto do mundo, tomar um café da manhã no Burj Al Arab (Torre das Arábias), que é um dos cartões postais de Dubai, o único hotel 7 estrelas do mundo e onde você vai encontrar os melhores carros na porta rsrs. Em Dubai não falta o que fazer, a noite aqui também é muito boa, muitos shows toda a hora, sem contar que pode visitar os Emirados vizinhos, como Abu Dhabi e ir visitar a pista de F1 da Yas Island, ver o Ferrari World e andar na montanha russa mais rápida do mundo, ver corrida de drag, enfim, não falta o que fazer. Aqui tem realmente de tudo. 
 
Você encontrou algum problema para obtenção de documentos e vistos?
Não, nenhum. Eu já vim com emprego então foi muito fácil. Mandei a cópia do passaporte, umas fotos com fundo branco, respondi umas perguntas fáceis (nome de pai, mãe, etc) e a empresa mandou um visto de entrada. Peguei no aeroporto, passei na imigração e uns dias depois fui num centro que tem aqui, tirar a Emirates ID e fazer os exames médicos para o visto de residência. Fazem um raio-x e um exame de sangue, tiram suas digitais e sua foto, o visto de residência sai em uns 3 dias e o Emirates ID demora uns 15. Em geral esse tipo de coisa aqui é fácil, mais complicado e burocrático são coisas como abrir conta de banco e abrir uma empresa por exemplo. Mas vistos, alugar casa, comprar carro, costuma ser relativamente fácil e rápido. 
 
O que você menos gosta na cidade, ou no país?
Dubai é maravilhoso, mas é uma cidade sem alma. Todo mundo está aqui de passagem, não se vê muita gente fazendo de Dubai “a sua casa”. Todo mundo vem com um plano para voltar. Eu gosto daqui, respeito muito o Sheikh e o acho um homem com uma visão admirável, gosto do que ele está fazendo com a cidade, no entanto acho que faltam algumas coisas para que seja um local normal, mais habitável de verdade, onde as pessoas possam realmente se estabilizar. Não é uma cidade preparada para caminhar por exemplo. Tem alguns parques e um lugar perto da praia onde tem 1km de calçadão e é isso, fora disso apenas alguns bairros são “caminháveis” e apenas dentro deles. Tudo se faz de carro, não dá pra calçar um chinelo e ir comprar leite na padaria, tem que pegar um carro e ir num supermercado ou talvez num shopping. Não se vê velhinhos na janela espiando nem crianças brincando na rua ou cachorros passeando. Em alguns lugares nem é permitido ter cachorro ou passear com eles na rua, por exemplo. Pessoas acima de 60 anos que não estejam trabalhando são convidadas a sair, eles não dão visto de residência a doentes e se você pegar AIDS ou Tuberculose te mandam embora, além de que não tem jeito de você pegar a nacionalidade a menos que seja filho(a) de um homem Emirati, que case com um homem Emirati (se for mulher) ou que o Sheikh te dê por algum motivo, como ele faz por exemplo com alguns grandes investidores.
 
 
Qual a relação dos nativos com brasileiros? Você possui amigos emiratis?
Os Árabes em geral adoram brasileiros e aqui não é diferente. Não posso dizer que sou amiga de emiratis, dos árabes locais. Tenho alguns conhecidos, mas não chego a socializar com eles, apenas os conheço por relações profissionais ou de passagem. Eles são mais fechados e a vida deles também é muito surreal para a maioria dos seres humanos mortais rsrs. Tenho amigos árabes mas de outras regiões, como palestinos e egípcios por exemplo. 
 
O que é falado sobre o Brasil por aí?
Mulheres bonitas, futebol (Ronaldinho) e festa. Os clichês de sempre. Quando os homens aqui, árabes ou não, descobrem que sou brasileira, chegam a ficar com um brilho no olho, o jeito de falar fica mais suave, um perigo! rsrs
 
Gostam da música brasileira? Como é a repercussão das nossas músicas? 
Michel Teló, Berê berê berê e o Kuduro versão brasileira passam aqui, eles gostam dessas músicas, para eles são exóticas e animadas. MPB e tal nunca escutei nas rádios aqui e nem acho que eles conheçam. 
 
Quais são os principais ídolos atualmente no país?
O maior ídolo do país é o Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, mais conhecido apenas como Sheikh Zayed. Foi ele que começou a mudar o país e iniciou a transformação que deu origem ao que o UAE é hoje. Quem imaginava que seria possível transformar um deserto, onde fazem quase 50 graus de calor no verão, num dos destinos turísticos mais famosos do mundo? Lembrando que o UAE como país tem apenas 42 anos. Incrível certo? Eu acho. Ele é amado por emiratis e até por expatriados. Teve pai e irmão mais velho assassinados, viveu com os beduínos para aprender os costumes do povo e quando foi nomeado governante não existia petróleo, o país era pobre e ele governava sempre tendo em mente o seu povo. Quando a exploração ao petróleo começou, ele coordenou todo o processo, fazendo o seu povo rico e dando tudo do bom e do melhor possível. Se fosse no Brasil teria feito só a família dele milionária né? rs. Faleceu em 2004 e penso que será sempre o maior ídolo de todos aqui. 
 
O que você costuma assistir na TV?
Canais estrangeiros, porque os árabes não entendo. Aqui não passa Globo nem nada brasileiro, vejo séries e filmes americanos ou britânicos nos canais Fox, MBC, esse tipo de canal. Canais de esporte têm muito e consigo ver jogos de tênis, MMA e futebol, inclusive a liga Brasileira às vezes. 

Há alguma mania/febre no país atualmente?
Bem, como estamos entrando em época de grandes eventos esportivos – o Rubgy 7 (campeonato de Rugby), o F1 de Abu Dhabi e o sub-17 de futebol, esses são os focos do momento. 
 
Você conheceu/utilizou algum produto ou serviço que recomendaria a ser utilizado no Brasil?
Adoro um serviço chamado E-gate que tem aqui. Basicamente todos os residentes tiram um cartão associado aos seus passaportes e Emirates ID (que é o documento de identificação usado aqui) e o que acontece é que você não precisa passar na imigração nem na entrada, nem na saída do país. Basta escanear o cartão numa maquininha, botar a sua digital e pronto, entrada ou saída registradas. Sem filas, sem complicação, rápido e fácil, adoro. 
 
Quais são os 3 esportes mais populares no país?
Corridas de Cavalo e Futebol são os esportes nacionais favoritos. Devido à grande quantidade de estrangeiros, o Cricket e o Rugby também fazem sucesso por aqui, mas não com os nacionais, mais com os expatriados.
 
A população se envolve muito com a política emirati?
Bem, a política aqui é diferente. Não é uma república, não é uma democracia, aqui temos uma monarquia hereditária então basicamente tem um Sheikh que é também o dono do Emirado e de tudo o que se encontra nele, que tem um Governo onde tem seus consultores e o que ele diz, é lei. A sorte é que o Sheikh ama muito sua terra e seu povo, e tudo o que faz protege o seu país e os locais, portanto você não ouve queixas. Não sei se eles têm muito voto na política, mas se houver algo que desagrade no geral o Governo é com certeza revisado. 
 
Você gosta da música do país? Tem algum cantor/banda que recomenda?
Gosto de música árabe para dançar, mas não sei cantores, bandas e nem entendo nada do que dizem. Gosto apenas de fingir que sei dança do ventre o suficiente para brincar de dançar de vez em quando, rs.
 
Conhece alguma história (ou lenda) da cultura que pode contar?
Para ser sincera não conheço nenhuma lenda local, nunca escutei e experimentei pesquisar e também não encontrei grandes relatos, mas imagino que devam existir porque os emiratis descendem e alguns ainda são beduínos e muitos também eram ou são pescadores, ou seja, no mar e no deserto, não é possível que não hajam contos fantásticos, porém não tenho nada local. Sei que existem vários mitos árabes, mas vindos da religião, não do local. 
 
Existe algum programa do governo que lhe chame a atenção?
O programa de estudos aqui para os emiratis é muito bom. Basicamente o governo patrocina os estudos dos emiratis em qualquer parte do mundo. Então se quiser estudar em Harvard ou no MIT, desde que consiga entrar na faculdade, o governo paga. Bom né? Mas não penso que seja possível em muitos países do mundo, rs. Aqui funciona porque a população local não é tão grande assim e o país é muito rico, além de que como muitos já têm a vida ganha, nem todos terminam seguindo seus estudos.
 
Pensa em voltar para o Brasil?
Penso sim. Na verdade estou pensando em organizar minha volta já, para o próximo ano. Porém, as coisas podem mudar. Gosto de manter as opções em aberto e, por experiência própria, sei que os planos mudam quando menos se espera.
 
 
Qual o seu sentimento pelos Emirados Árabes?
Adoro os Emirados, especialmente Dubai. Vivi coisas incríveis aqui profissionalmente, pessoalmente e até momentos históricos como a inauguração do prédio mais alto do mundo! Sempre vou lembrar da enorme experiência de vida que me proporcionou, de todo o crescimento que tive aqui e espero, mesmo correndo o mundo ou estando onde for, sempre poder dar um pulinho aqui pra ver como estão evoluindo as coisas, quem sabe a cada 5 anos, como turista. 
 
Se tivesse um filho, quais características ensinaria/gostaria que ele tivesse do jeito brasileiro e da maneira emirati de ser?
Do jeito brasileiro sem dúvida a festividade, a alegria e o calor humano. Dos emiratis o respeito pela família, pelos mais velhos principalmente. 
 
Que conselhos você daria a quem pretende visitar ou até mesmo se mudar para o país?
Para quem vem visitar apenas que faça um bom trajeto, programe bem as atrações e tente ver o máximo possível. Para quem se mudar aconselho que venha com um bom inglês, que tenha já algum trabalho ou propostas em mente e que não se iludam, pois aqui sim os salários são maiores do que no Brasil (só não ter imposto já ajuda), mas se trabalha muito e também não é tão barato morar aqui, além de que a cidade oferece muitas opções e se não vier confortável, não vai aproveitar nada. Para ambos digo que se inteirem bem das leis e comportamentos que são e não são aceitos aqui, para que não desrespeitem a religião e cultura dos locais, afinal, o país é deles. 

 


Mudanças

“A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.” John F. Kennedy

Passei mais de 3 anos em Dubai. Fiz amigos, tinha um trabalho que apesar de não ser na minha área de formação era bastante satisfatório – numa boa empresa, estável, com boas pessoas e algum desafio intelectual – tinha um carro que adorava, um apartamento alugado, vários conhecidos e acima de tudo, alguns bons amigos.

Três anos não é muito tempo, mas eu diria que num país que tem uma cultura tão diferente, com regras e um estilo de vida tão diferente, a velocidade do tempo não é a mesma. Ou pelo menos não parece ser. Estava bem, tinha tudo o que precisava e tinha qualidade de vida. Tive a oportunidade de viajar muito e fazer várias coisas que em Portugal ou no Brasil nunca teria feito mas, às vezes, precisamos de uma mudança, não para melhor nem para pior, para diferente.

E aqui estou eu, depois de tantos anos, de novo como residente no Brasil, desta vez em São Paulo.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”Fernando Pessoa

Para os que como eu, passaram ou estão passando por mudanças em suas vidas, lembrem-se que mesmo que na hora não pareça, sempre mudamos para melhor, nem que seja porque aprendemos e melhoramos com cada nova experiência.