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Dicas de profissionalismo e eficiência

Profissionalismo, para mim, significa saber aplicar bom senso no seu trabalho, nas relações com seus empregadores, funcionários e colegas, respeitando e fazendo o melhor que você sabe e pode fazer, para atingir os objetivos comuns do grupo.

Se quer ser mais profissional e eficiente, aqui ficam algumas dicas:

Seja pontual. Chegar 5 minutos antes da hora marcada é o ideal. Se chegar no local 30 minutos antes, aproveite para rever alguma coisa importante. Atrasado(a), nunca! Você deve se programar direito e evitar colocar pressão nos outros para lhe receber mais cedo ou atrasá-los para seus próximos compromissos. É falta de respeito.

Veja a cena completa. Tente entender o objetivo geral das suas funções e responsabilidades. Se colocar sua visão no objetivo final, então tudo o você fizer, da mais pequena das ações, estará alinhado com esse objetivo e você será muito mais eficiente.

Seja Proativo. Se você conseguir ver a cena completa como dito acima, não lhe faltarão idéias para melhorar processos, criar novos produtos e tornar seu trabalho ou o trabalho do seu time melhor, mais fácil e mais eficiente. Sugira melhoramentos, faça mudanças, teste, aplique, não fique parado!

Apresente soluções. Não leve problemas sem antes pensar em ou pesquisar soluções. Você é pago pela sua capacidade e experiência, para que ajude a resolver problemas e não para que os crie. Existem decisões que você não pode tomar, mas antes de levar um problema a alguém, pense nas possíveis soluções e as apresente junto com o problema. Se é algo óbvio ou para o qual você não precisa de autorização (tipo chamar os bombeiros em caso de fogo), então primeiro acione a solução e depois informe seus superiores, eles lhe darão idéias ou instruções adicionais, mas pelo menos você já começou a resolver o problema.

Tenha postura. Nunca se esqueça que seus colegas podem ser seus amigos mas são seus colegas. Quanta gente vai para aquela festa de final do ano da empresa e se entope de cachaça até sair bamboleand0 no chão? Aproveita que é de graça, né? Não se esqueça que estão na farra hoje mas amanhã não deixam de ser seus colegas, chefes, etc. Não danifique sua imagem profissional por prazeres momentâneos, tenha postura, saiba se comportar e manter a linha.

Seja adaptável. Tem um gerente novo, mudou de escritório, está sendo transferido, tem uma nova posição dentro da empresa, chegou um coleguinha estrangeiro com uma cultura completamente diferente. Sempre tem alguma coisa mudando no mundo, porque o mundo gira. Seja maleável, saiba procurar afinidades em vez de se focar em disparidades. Aprenda a lidar com as pessoas e situações mesmo que sejam novidades para você, seja fluente. O mundo está cada mais globalizado e em movimento, quem fica parado fica para trás. Aprenda e evolua, dentro e fora do trabalho.

Observe e aprenda. Estudar não significa só engolir livros ou ir para a universidade, fazer curso. Estudar significa se inteirar do que está à sua volta e ter curiosidade de saber mais, de pesquisar, de procurar entender melhor e aprender coisas novas. Abra sua cabeça, se mantenha ciente do seu ambiente, do seu mundo. Leia as notícias, livros, vá no Google, observe as pessoas a sua volta, aprenda com as experiências dos outros e mantenha uma curiosidade saudável sobre as coisas. Seja uma pessoa interessante, com quem os outros gostam de conversar porque você tem conteúdo e se transforme numa referência para aqueles que procuram orientação.

Seja honesto e confiável. Seja transparente, sem rodeios. Não seja egoísta, não procure só o melhor para você mesmo, pense no coletivo. Quando lhe fizerem uma pergunta, seja sincero na resposta – não precisa ser rude mas seja sempre sincero. Isso fará com que as pessoas se dirijam a você para uma opinião honesta, e em posições mais altas de qualquer empresa, se você não tiver a confiança de todos, você não chega. Seja uma pessoa de confiança.


Dica de Blog: Sapatilha sobre Rodas

CaptureDurante minha perambulações pelo wordpress, me deparei com um blog inspirador que faço questão de compartilhar com vocês.

“Sapatilha sobre Rodas” é um blog escrito sobre e por mulheres que têm algo em comum: são lindas, fortes e inspiradoras. Vá lá no blog delas e veja se eu não tenho razão.

Antes de ir, mentalize: nós somos seres limitados fisicamente – sua memória tem limites, sua voz tem limites, você cresce até um limite, sua pele é a fronteira do seu corpo. Todos temos restrições físicas, mesmo quando somos “saudáveis”, o corpo humano é limitado e frágil. As únicas limitações que não temos (embora a maioria das pessoas insista criar), são limitações mentais – o nosso pensamento, a imaginação humana e a força de vontade.

 


Qual a idade de um héroi?

O mundo está precisando de inspiração! Todos os dias abro o jornal e… minha nossa! Não estamos nos saindo bem com nosso ambiente, nosso planeta, com os animais, com outros humanos, com nada. Estamos desesperadamente precisando de mais “humanidade” e menos futilidade.

Decidi procurar inspiração, humanos que fizeram a diferença na vida dos outros, pela positiva. Pessoas que deveriam ser famosas e nossas referências de celebridade, em vez de gente com parafina no cabelo, silicone nos lábios e merda na cabeça.

Me deparei com uma história interessante, de um menino que cresceu em sofrimento mas em vez de se vitimar como a maioria faz, teve a coragem de enfrentar o que tinha que enfrentar. Morreu com apenas 12 anos e provavelmente fez mais por essa tal de humanidade do que eu, você e muitos milhares de outras pessoas juntas.

CaptureIqbal Masih nasceu no Paquistão em 1983. A sua família era bastante pobre e quando tinha apenas 5 anos foi entregue a um comerciante local, dono de uma fábrica de tapetes, como “pagamento” por uma dívida de sua mãe.

O acordo era que o menino trabalharia e o seu salário de seria inteiramente para abater a dívida mas, o empregador sempre alegava juros pelo atraso de pagamento, custos de “aprendizado” do menino, e a dívida nunca diminuiu, pelo contrário.

Iqbal trabalhava 14 horas por dia, 7 dias por semana, com 30 minutos de intervalo. Apanhava frequentemente, sofria abuso verbal e trabalhava amarrado na sua cadeira com correntes.

Devido às intensas condições de trabalho e má alimentação, tinha apenas 1,21 cm e pesava 27.2 Kg.

Aos 9 anos, Iqbal ouviu dizer que a escravidão foi declarada ilegal no Paquistão e junto com um grupo de amigos, elaborou um plano de fuga. Livre, correu para uma esquadra de polícia para prestar queixa. Infelizmente, a corrupção não é exclusiva do Brasil e a polícia  devolveu os meninos ao comerciante em troca de dinheiro. Foram castigados sendo mantidos amarrados de cabeça para baixo por alguns dias.

Isso não o fez desistir. Conseguiu fugir novamente um ano depois e se filiou à Comissão de Liberação de Trabalho Escravo do Paquistão, onde aprendeu todos os seus direitos.

Cheio de energia e com muita paixão pela causa, se voluntariou para ser orador da Comissão. Fazia discursos empolgados, contando sua histórias, seus sofrimentos, e elucidando sobre regras, direitos, deveres e ilegalidades trabalhistas.

Era tão emotivo nos seus discursos que virou um símbolo mundial da luta contra a escravidão e o trabalho infantil, e viajou o mundo levando sua palavra e seu pedido de ajuda.

Mas não ficou pela teoria. Além de seus discursos, Iqbal se infiltrava nas fábricas, e elucidava os “colegas” sobre seus direitos, incentivava os trabalhadores escravos, na sua maioria crianças, a fugirem, a se liberarem, a prestar queixa. É estimado que tenha ajudado cerca de 3,000 crianças, provavelmente muitas mais por via indireta.

Em paralelo, estudava a um ritmo acelerado – completou o equivalente a 4 anos de estudos em apenas 2. Queria ser advogado.

Claro que tanta determinação trouxe muitos inimigos. Iqbal foi ameaçado várias vezes e no dia 16 de Abril de 1995, pouco depois de retornar de uma viagem aos Estados Unidos, enquanto voltava da escola de bicicleta com os amigos, foi assassinado com um tiro nas costas. Centenas de pessoas foram ao seu funeral.

Ele recebeu o Prémio Honorário Crianças do Mundo em 2000, post-mortem, e inspirou a criação de várias organizações, como a Free The Children e a Iqbal Masih Shaheed Children Foundation. Existem livros publicados contando sua história e o Congresso dos Estados Unidos até criou o Prémio Iqbal Masih Para a Eliminação do Trabalho Infantil.

No Brasil, estima-se que 81 mil crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos de idade, 473 mil entre 10 e 13 anos e cerca de 3 milhões entre os 14 e 17 anos sejam forçadas a trabalhar.

Como dizia Iqbal “Crianças devem segurar lápis, não ferramentas de trabalho”.

Se inspire. Faça a diferença. Não compre itens que sabe que provêm de trabalho infantil, denuncie se souber que está acontecendo perto de você e se puder até, espalhe a palavra, contribua com seu tempo, seu dinheiro, ou apenas não sendo cego.


Filha de Nigerianos nasce loirinha e de olho azul

article-1299011-0A9D050C000005DC-458_468x641” É um bebê milagre!” diz a mãe de 35 anos, Angela Ihegboro. Ela e o marido Benjamin, quando viram a pequena Nmachi pela primeira vez (que significa Beleza de Deus na sua língua nativa), ficaram perplexos.

Ambos Nigerianos, de pele escura, cabelos e olhos pretos, e tendo já outros dois filhos, Dumebi e Chisom, com mesmas características físicas, não esperavam que o seu terceiro milagre fosse uma menininha loirinha, de cabelo cacheado e olhos azuis.

“É claro que ela é minha, minha mulher é fiel” diz o pai, “e mesmo que não fosse, a bebê não sairia assim”.

A menina Nmachi é realmente um milagre! Médicos e cientistas genéticos estão em volta dessa família para entender como isso é possível. É que essa situação nunca aconteceu antes, ou pelo menos, nunca foi registrada antes.

Existem casos em que filhos apresentam algumas características de outra raça, normalmente trazidas pela genética de antepassados não tão distantes mas, de acordo com ambos os pais, em nenhuma das famílias existem antepassados brancos.

O mais óbvio seria a menina ser albina, porém essa hipótese foi descartada ainda antes da família sair do hospital. Então, como é possível?

Até agora, as causas apontadas como mais prováveis são:

  • A menina sofreu uma mutação genética – não herdada dos genes dos pais, tendo acontecido nela apenas – durante os estágios de formação e desenvolvimento do embrião. Se for esse o caso, os descendentes da menina irão herdar essa mutação também;
  • Genes de familiares antepassados brancos foram carregados por várias gerações de ambos Angela e Ben de forma silenciosa, tendo se manifestado na pequena Nmachi; ou
  • Existe a possibilidade de ser uma nova forma de albinismo, uma variação ou alguma condição genética com sintomas semelhantes, ainda desconhecida.

O pai, encantado com sua pequena diz que gostaria de saber porquê ela é tão branquinha mas que “não importa se é menina ou menino, branca, preta, amarela ou azul, o que importa é que ela é linda e saudável”.

Testes genéticos irão ser realizados e já podemos antecipar uma nova descoberta. E quão entusiasmante pode ser!

A teoria da evolução sugere que somos todos descentes de africanos. Será que os primeiros brancos foram “milagres” como a bebê Nmachi? Será que foi assim, do nada, sem razão aparente, que os caucasianos “apareceram” no pedaço?


Política de senso comum

Política, do Grego politikos, significa “de, para, ou relacionado a grupos que integram a Pólis”. Pólis, por sua vez, significa cidade-Estado, comunidade, coletividade, sociedade. Denomina-se então a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados.

Na política, os termos  “esquerda” e “direita” apareceram durante a Revolução Francesa de 1789 e o Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei que ficaram sentados nas cadeiras à direita do presidente e simpatizantes da revolução na sua esquerda.

A partir do início do século XX, os termos Esquerda e Direita passaram a ser associados a ideologias políticas específicas e foram usados para descrever crenças políticas dos cidadãos, substituindo gradualmente os termos “vermelhos” e “reação” ou “republicanos” e “conservadores”. Em 1914, a metade esquerda da legislatura foi composta por socialistas unificados, republicanos socialistas e radicais socialistas, enquanto os partidos que foram chamados de “esquerda” agora se sentam do lado direito.

Havia assimetria na utilização dos termos direita e esquerda pelos lados opostos. A Direita negou que o espectro Esquerda-Direita fosse significativo porque o viam como artificial e prejudicial à unidade. A Esquerda, no entanto, buscando mudar a sociedade, promoveu a distinção.

No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda.

Hoje em dia temos esquerda, direita, centro e outras variações e o que não temos é senso comum na política. Em vez de definirmos política em prol da localização das suas cadeiras, devíamos dar uns bons séculos de passos atrás e voltar à definição grega – a ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados, de comunidades ou coletividades.

O político que se define como de “esquerda” ou de “direita” não pode começar bem. Como pode algum ser humano ter apenas uma visão do mundo aplicável a todas as coisas? Como pode alguém se classificar como “esquerda” ou “direita” se o mundo é mutável, se existem várias perspectivas para a mesma questão, várias argumentações lógicas para cada problema que não estão nem certas nem erradas, muitas vezes estando as duas coisas ao mesmo tempo. O fato de escolher um lado, significa inflexibilidade, quando especialmente na política, deveríamos estar preparados para evoluir, aprender e escolher o melhor possível, não vendo apenas um lado, mas enfrentando os problemas com “visão de helicóptero”, vendo as questões de cima e sempre procurando achar as soluções que trazem resoluções finais, estáveis e com menos consequências negativas para todos os envolvidos.

Se até a E.L. James achou 50 tons de cinza, será que a política humana, a administração de seres tão complexos como nós se pode definir em um punhado de direções?

Na verdade, eu acho que partidos políticos deveriam ser abolidos e os indivíduos deveriam se candidatar para posições governamentais de forma independente, assim como fazemos quando nos concorremos a vagas de trabalho em qualquer empresa.

O País pode se comparar a uma grande empresa em termos de gerenciamento. Tem vários departamentos – Financeiro, Recursos Humanos, Vendas, Compras, etc. – existem objetivos, alvos a serem alcançados. A dedicação e honestidade deveriam ser prioridade, assim como a performance e o trabalho de equipa.

As empresas não trocam todos os funcionários no mesmo período. Elas abrem vagas, contratam examinando experiência, avaliando capacidade, profissionalismo, performance. E demitem caso a pessoa não esteja cumprindo suas obrigações com qualidade.

Sugiro isso porque não concordo que só um partido possa estar no poder, não concordo que se um Ministro, Deputado, ou até Presidente, esteja fazendo um bom trabalho, tenha que ser trocado aquando a troca de governo, muitas vezes sendo substituído por alguém não tão eficiente. Assim como não acredito que um incompetente deva ficar num cargo porque é tio, primo ou dorme com alguém importante. Acredito que a competição eleva a qualidade de serviço. Imagine ministros de diferentes partidos, com diferentes visões e experiências, tendo que considerar essas experiências e chegar a um consenso. Penso que existe uma chance de termos uma política mais equilibrada, com menos lobbies e mais considerativa com o povo.

Em vez de escolhermos partidos, deveríamos estar focados em escolher indivíduos, bons gestores, pessoas eficientes, honestas e dedicadas que de fato queiram fazer um bom trabalho e fazer do País um lugar melhor para todos.


Eu sou imortal

Outro dia estava conversando com meu namorado e estávamos falando sobre coisas possíveis e impossíveis. Eu disse que nada é impossível e ele me respondeu que é sim, complementando que é impossível por exemplo, ser imortal.

Eu rapidamente respondi “mas eu sou imortal”. Acho que ele não entendeu e levou como mais uma das minhas (muitas) loucuras. Eu estava falando sério. Eu acho que nada de fato é impossível e acredito que sou imortal. Acho que tudo depende de interpretação e da sua visão sobre as coisas.

Porque é que eu me acho imortal? Muito simples, porque tenho esse blog. Porque tenho um Facebook, um LinkedIn ou um Twitter que imortalizaram a minha vivência. Eu existo, tenho voz e tenho provas disso. Através da Internet imortalizei algumas das minhas experiências e opiniões, me tornando também imortal. Para mim, enquanto alguém no mundo lembrar quem eu sou, seja onde for, conhecido ou não, eu estarei presente.

Se eu morrer hoje e daqui a 100 anos alguém achar esse post, eu estarei conversando com alguém. Eu acredito que para sermos imortais apenas temos que cumprir o famoso: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Eu já plantei mais do que uma árvore, optei por escrever um blog (agora dois) em vez de um livro, me falta o(a) filho(a), que me imortalizará biologicamente.

Atualmente conseguimos rastrear genes, e perceber que existem famílias dispersas em lugares opostos do mundo que provêem do mesmo ancestral, ancestral esse que viveu séculos e séculos atrás, milhares de anos atrás. Isso não é uma forma de imortalidade? Para mim é.

Ser imortal para mim não é ter o mesmo corpo para sempre, isso na verdade não acontece nem durante o ciclo da nosso corpo. O Universo é feito de renovação. Assim como o seu corpo renova suas células, e o mundo a sua população, o Universo também se renova – umas estrelas se apagam, outras se formam, por exemplo. A Terra também tem “fases”. Já teve era glaciar, já foi quente e árida, teve dinossauros que foram extintos, renovando sua natureza e seus habitantes.

Tudo se renova mas a marca que você deixa no mundo, na historia, com a sua essência, essa te imortaliza.

Se eu morrer, quer dizer que eu não existo? Mas como, se eu estou falando com você agora mesmo nesse post?


A coragem de pedir desculpa

Há uns anos atrás, tive um pequeno problema com uma menina. Ela chegou uns meses antes de mim em Dubai e veio para morar com seu então namorado, hoje marido e pai de seu filho.

Talvez porque na época ela não tinha um inglês fluente, ficou algum tempo sem arrumar emprego, fazia aulas de inglês mas era basicamente isso. Sua vida era focada, e em volta, da de seu namorado. Seus amigos eram amigos dele que viravam dela, etc. O Dubai daquela época não era o Dubai de hoje. As opções de entretenimento eram limitadas, as coisas eram diferentes e com certezas mais difíceis.

Foi ela que me pegou no aeroporto no dia em que eu cheguei, me recebeu com um belo sorriso e com um cartaz que ela mesmo fez. Embora eu seja um papelzinho de embrulhar prego e ela o meu oposto – sempre delicada, voz meiga – eu a achava divertida e era gostoso quando saiamos juntas, achei que seriamos boas amigas. Talvez também pelo fato de eu ter chegado com 23 anos num lugar totalmente desconhecido, achei que teriamos a nossa situação em comum, e nisso um suporte. E na verdade foi assim que começou.

Fazíamos tudo juntas: sempre estávamos nas mesmas festas, nos mesmos jantares, nos mesmos eventos, cinemas, café, bares, pra terem noção, fui eu que ofereci o seu vestido de casamento.

No lado pessoal, eu estava tendo sorte! Arrumei emprego mais ou menos um mês após minha chegada, eu gostava do trabalho, das pessoas, tudo certo.

Um pouco depois do seu casamento, me arrisco a dizer quase no dia seguinte, tudo mudou. Por algum motivo que eu nunca soube explicar, de um dia para o outro ela parou de falar comigo e começou a vetar qualquer coisa em que eu estivesse envolvida.

Com nossos amigos em comum era – ou ela ou eu; me lembro numa festa que nos esbarramos e que quando eu fui cumprimentar levei uma bela virada de cara. O marido dela chegou a ir na minha casa, debaixo do meu teto, falar merda! Sinceramente já nem lembro muito bem das suas palavras, me lembro apenas de estar na sala pensando “Isso só pode ser brincadeira ou um sonho, não pode ser real”. Se fosse hoje provavelmente teria descido pela janela rs.

Quem me conhece um pouquinho fora do blog, deve estar pensando que estaria pouco me lixando pra tudo isso, não ligo pra nada do que ninguém pensa mesmo e normalmente nada dessas coisas me afecta. E em 98% dos casos estariam certos. Nesse não.

É que essa situação especifica, de acordo com a minha condição naquele tempo, também porque era muito nova, não tinha muitos amigos em Dubai e não sabia lidar com essas coisas (nunca tinha acontecido comigo antes), foi extremamente complicada. Me trouxe muitas brigas, muita tensão, muito sofrimento porque tive que me defender de ataques de todo o canto sozinha e sem nem sequer saber o que tinha feito. E isso era o que mais me incomodava – eu não sabia o que tinha feito, sequer se tinha feito alguma coisa! Eu vasculhei o meu cérebro inteiro, tanto! Tentando lembrar se tinha falado algo, feito algo, mexido, olhado, cheirado alguma coisa que não devia, sei lá. E nao achava!

Mas claro que eu sempre serei eu e como tal, passado alguns meses de tensão, liguei o que eu gosto de chamar o “foda-se”. Sacudi, deixei bem claro que não queria saber, não me interessava, não queria nem bem nem mal, ia apenas ignorar e fingir que não existe, como se fosse um vizinho que se vê passar no corredor mas nem fede nem cheira. Eu interiorizei que o que quer que fosse, tinha sido imaturidade, besteira, bobagem, talvez algum ciuminho e botei de lado.

O post é sobre essa pessoa, que passados quase 6 anos me mandou uma mensagem pedindo desculpa. Mas mais importante ainda, que finalmente explicou o que aconteceu e admitiu que não teve nenhum motivo especifico, foi “apenas” o fato de estar afastada de sua casa, sem emprego há meses, morando num lugar isolado, se sentindo desanimada e sem se reconhecer mais, com energia apagada. Quando eu cheguei toda serelepe, cheia de planos e entusiasmada, o seu lado mais humano se manifestou e ela começou a não me suportar e terminou envolvendo outras pessoas, incluindo seu esposo.

Achei que faz sentido. Na verdade até me identifiquei um pouco. Imagino que o que ela estava sentindo foi mais ou menos o que eu senti quando morei em São Paulo e fiquei sem trabalhar por uns meses numa cidade completamente desconhecida e sem amigos. Embora eu não tenha prejudicado ninguém, fez perfeito sentido que ela se sentisse negativa, pra baixo, irreconhecível. E ás vezes podemos machucar os outros quando estamos assim.

Obviamente ela sentiu alguma culpa todos esses anos. Imagino que deve ter pensando durante muito tempo como falar comigo, como explicar, como dizer. Admiro que tenha conseguido faze-lo. Penso que muita gente não teria nem tem coragem, deixaria passar, esperaria desaparecer no tempo. E depois de tanto tempo, já teria desaparecido, pra mim já tinha desaparecido, ela já estava desculpada.

Esse post é para dizer que afinal aquela pessoa que eu tinha conhecido e me recebeu no aeroporto com um sorriso, é a verdadeira essência e que assim como me ensinou uma lição não tão boa antes, me ensinou uma muito mais importante agora – nunca é tarde para pedir desculpa.