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Falsas Memórias

Image result for brainVocê confia na sua memória? Já tentou verificar suas histórias por meio de outras pessoas, fotos ou outras fontes de informação?

Memórias parecem fortes, sólidas. Nossas lembranças nos parecem verdades. Estávamos lá, vimos com nossos olhos, escutamos com nossos ouvidos, sentimos na nossa pele. No entanto e na verdade, memórias são complexas, maleáveis e extremamente falíveis.

O nosso cérebro é muito complexo e capaz de armazenar algo como 2.5 petabytes de informação, porém é maleável, adaptativo e susceptível, influenciável. Perfeito para nossa evolução. Memórias não são eventos completos guardados num único local do cérebro e sim fragmentos de informação espalhados em diferentes regiões cerebrais.

Elas podem derivar de experiências pessoais ou de eventos externos, como coisas que você leu ou escutou, e têm propriedades reconstrutivas. Ao serem lembradas e relembradas várias vezes, podem sofrer alterações e serem armazenadas como experiências próprias, se transformando em memórias falsas.

Vale notar que memórias falsas não são mentiras. A pessoa tem “certeza” que vivenciou porque é o que está gravado em suas memórias, portanto, são verdades assumidas para quem as conta.

“A falsa memória é uma experiência mental que é erroneamente considerada como sendo uma representação verídica de um evento de seu passado pessoal. As memórias podem ser falsas de forma relativamente pequena (por exemplo, acreditar que viu as chaves na cozinha quando estavam na sala) e de maneiras que têm profundas implicações para si mesmo e outros (por exemplo, acreditar equivocadamente que é o criador de uma ideia ou que foi abusado sexualmente quando criança). ”
(Johnson, MK, 2001)

Isso acontece com quase todo mundo. Eu acredito que suas memórias, principalmente as de infância, não são exatamente o que aconteceu. Eu não gosto de banana, nem sequer tolero o cheiro. Um fato curioso é que minha mãe, tal como eu, não suporta banana. Eu tinha a memória de a um certo ponto quando criança, ter me entalado comendo uma banana e achava que era por isso que não gostava.

Ao verificar esta informação com meus familiares, descobri que na verdade foi minha mãe que se engasgou com uma banana quando criança. Acontece que quando eu era pequena, eu comia muita banana e minha mãe, que não suporta o, sempre pedia para eu me afastar enquanto estivesse comendo. Como resultado, ao lembrar e relembrar, meu cérebro memorizou que banana é horrível e se apropriou de uma memória que não é minha como justificação.

Nesse caso a memória falsa não afeta ninguém mas existem casos bem graves, como o caso de Nadean Cool, que em 1986 procurou ajuda de um psicólogo para lidar com um episódio traumático experienciado por sua filha e acabou tendo “memórias” de ser abusada quando criança, forçada a participar em rituais satânicos, ter sexo com animais, comer bebês e assistir ao assassinato de uma criança de 8 anos.

Como isso aconteceu? Como é possível? O seu psicólogo, ao aplicar terapias de hipnose nas suas sessões com Nadean, fazia sugestões que se transformaram em “memórias”. Episódios que ela foi lembrando achando que eram eventos reais que ela havia reprimido.

Em 1992 um pároco ajudou Beth Rutherford a se lembrar que o seu pai, também um homem de fé, a tinha molestado entre os 7 e os 14 anos e que a sua mãe às vezes até o ajudava, segurando-a. Através de sugestões externas, Beth passou a acreditar ter engravidado e abortado 2 vezes devido aos abusos. Quando a informação virou pública e seu pai foi acusado, ele teve que se demitir. No decorrer das investigações, exames médicos concluíram que Rutherford ainda era virgem e nunca tinha engravidado.

O perigo é óbvio – pessoas podem ser presas, condenadas, difamadas publicamente e até pior, devido a memórias de eventos que nunca aconteceram. E não é tão difícil assim plantar falsas lembranças, especialmente em crianças.

A nossa memória tem um pouco de ficção. Desde que não vire um filme de terror, não tem nada de errado nem de anormal nisso.

Tente verificar algumas de suas lembranças e veja por você mesmo como às vezes elas são bem diferentes do que aconteceu na realidade.

Site sobre o Síndrome de Falsa Memória: http://www.fmsfonline.org/

Um artigo científico da Dra. Elisabeth F. Loftus, da Universidade de Washington, onde descreve alguns testes que fez:  https://faculty.washington.edu/eloftus/Articles/sciam.htm 

 


Alexitimia – a dificuldade de verbalizar sentimentos

Como seria sua vida se você não sentisse raiva, tristeza, ciúme, mas também não sentisse amor, alegria, entusiasmo? Ou melhor, como seria sua vida se você sentisse tudo isso mas não soubesse reconhecer e descrever as sensações e portanto, não experimentasse o sentimento associado? Complicado imaginar, não é? Nesse caso, até entender é complicado.

Estou falando de Alexitimia, uma disfunção de construção de personalidade pouco conhecida que hoje chamou minha atenção.

A palavra provém do grego: A indica ausência, lexis é palavra e timia, emoção – mais ou menos, “sem palavras para a emoção” e a condição a que se refere, foi descrita pela primeira vez em 1973, pelo psicoterapeuta Peter Sifneos.

Caracterizada pela incapacidade de identificar e descrever os próprios sentimentos, a Alexitimia é bastante comum em conjunto com outras condições médicas, como o autismo, depressão, esquizofrenia. Os pacientes não conseguem associar o que o seu corpo sente com o seu estado emocional.

Por exemplo, alguém que perde um familiar e sente uma forte dor de cabeça mas não associa a dor de cabeça com o sofrimento ou a tristeza de ter perdido alguém próximo.

Os Alexitimianos (essa palavra fui eu que inventei), também costumam ter memória curta para as sensações. Usando o mesmo exemplo, a pessoa esqueceria no dia seguinte que teve dor de cabeça, apagando totalmente o registro de qualquer alteração corporal, de qualquer sensação física, e eliminando totalmente a memória negativa do momento de perda do familiar.

O problema é que, assim como a memória dos momentos negativos se vai, a dos positivos também.

As pessoas que sofrem dessa disfunção, costumam ser bastante conscientes de si-mesmo, analíticas em relação aos seus processos, extremamente racionais e desligadas do mundo emocional, tendo dificuldade de entender os sentimentos das outras pessoas, entender porque as outras pessoas se irritam ou ficam tristes, ou porque se comportam de forma estranha quando estão apaixonadas, considerando na maioria das vezes que são apenas irracionais.

Isso não quer dizer que sejam más pessoas ou psicopatas.

Li a entrevista que um paciente (Caleb) deu para a BBC. Um homem casado, com um filho de 8 meses. No dia de seu casamento, quando viu a noiva entrar na igreja, disse que se sentiu corar e os pés ficarem dormentes, mas que tirando isso, não tem memória de mais nada de relevante, foi tudo bem “neutro”.

Caleb afirma que não sente amor pela sua esposa nem mesmo pelo seu filho, não tem a sensação calorosa do amor, nem a emoção que vem com isso, mas sente uma tensão física no corpo – como músculos tensos – quando fica longe da esposa e do filho por alguns dias, viajando a trabalho por exemplo.

Consciente do seu problema, ele visita um terapeuta regularmente que o ajuda a manter a estabilidade dos seus relacionamentos, a identificar e a associar o que os sintomas físicos que ele sente podem representar emocionalmente e faz um grande esforço para manter a sua parceira feliz. Ele a escuta com bastante atenção procurando racionalizar o sentimento dela para o compreender, memoriza as reações dela, aprendendo assim a identificar quando ela está chateada ou feliz e como ela se comporta nesses momentos.

A melhor parte, ele diz, é que a relação deles não é afetada pela emoção, então é bastante estável e uma escolha totalmente consciente. Caleb não é caso único. Cerca de 10% da população geral (8% homens e 2% mulheres) apresenta sintomas de Alexitimia, em 3 níveis – leve, moderado ou alto.

De acordo com alguns estudos, existem várias causas possíveis para o desenvolvimento dessa condição, como o fator genético; um problema neurológico que provoca uma falta de comunicação entre os dois lados do cérebro, fazendo com que a pessoa sinta a parte física mas não “traduza” a experiência em palavras e emoções; e pode ser ainda causado por um mecanismo de defesa após perdas traumáticas, abuso prolongado, etc – o cérebro simplesmente fecha as vias de processamento de emoções, e a pessoa vai perdendo a capacidade de sentir. Esse último tipo de é reversível com terapia e medicação.

Como em tudo nessa vida nos dias de hoje, existe uma comunidade para pessoas com personalidade Alexitimica e até um teste online. Você pode responder a algumas perguntinhas (em Inglês) e descobrir qual o seu nível de falta de emoção. Clique aqui.


A coragem de pedir desculpa

Há uns anos atrás, tive um pequeno problema com uma menina. Ela chegou uns meses antes de mim em Dubai e veio para morar com seu então namorado, hoje marido e pai de seu filho.

Talvez porque na época ela não tinha um inglês fluente, ficou algum tempo sem arrumar emprego, fazia aulas de inglês mas era basicamente isso. Sua vida era focada, e em volta, da de seu namorado. Seus amigos eram amigos dele que viravam dela, etc. O Dubai daquela época não era o Dubai de hoje. As opções de entretenimento eram limitadas, as coisas eram diferentes e com certezas mais difíceis.

Foi ela que me pegou no aeroporto no dia em que eu cheguei, me recebeu com um belo sorriso e com um cartaz que ela mesmo fez. Embora eu seja um papelzinho de embrulhar prego e ela o meu oposto – sempre delicada, voz meiga – eu a achava divertida e era gostoso quando saiamos juntas, achei que seriamos boas amigas. Talvez também pelo fato de eu ter chegado com 23 anos num lugar totalmente desconhecido, achei que teriamos a nossa situação em comum, e nisso um suporte. E na verdade foi assim que começou.

Fazíamos tudo juntas: sempre estávamos nas mesmas festas, nos mesmos jantares, nos mesmos eventos, cinemas, café, bares, pra terem noção, fui eu que ofereci o seu vestido de casamento.

No lado pessoal, eu estava tendo sorte! Arrumei emprego mais ou menos um mês após minha chegada, eu gostava do trabalho, das pessoas, tudo certo.

Um pouco depois do seu casamento, me arrisco a dizer quase no dia seguinte, tudo mudou. Por algum motivo que eu nunca soube explicar, de um dia para o outro ela parou de falar comigo e começou a vetar qualquer coisa em que eu estivesse envolvida.

Com nossos amigos em comum era – ou ela ou eu; me lembro numa festa que nos esbarramos e que quando eu fui cumprimentar levei uma bela virada de cara. O marido dela chegou a ir na minha casa, debaixo do meu teto, falar merda! Sinceramente já nem lembro muito bem das suas palavras, me lembro apenas de estar na sala pensando “Isso só pode ser brincadeira ou um sonho, não pode ser real”. Se fosse hoje provavelmente teria descido pela janela rs.

Quem me conhece um pouquinho fora do blog, deve estar pensando que estaria pouco me lixando pra tudo isso, não ligo pra nada do que ninguém pensa mesmo e normalmente nada dessas coisas me afecta. E em 98% dos casos estariam certos. Nesse não.

É que essa situação especifica, de acordo com a minha condição naquele tempo, também porque era muito nova, não tinha muitos amigos em Dubai e não sabia lidar com essas coisas (nunca tinha acontecido comigo antes), foi extremamente complicada. Me trouxe muitas brigas, muita tensão, muito sofrimento porque tive que me defender de ataques de todo o canto sozinha e sem nem sequer saber o que tinha feito. E isso era o que mais me incomodava – eu não sabia o que tinha feito, sequer se tinha feito alguma coisa! Eu vasculhei o meu cérebro inteiro, tanto! Tentando lembrar se tinha falado algo, feito algo, mexido, olhado, cheirado alguma coisa que não devia, sei lá. E nao achava!

Mas claro que eu sempre serei eu e como tal, passado alguns meses de tensão, liguei o que eu gosto de chamar o “foda-se”. Sacudi, deixei bem claro que não queria saber, não me interessava, não queria nem bem nem mal, ia apenas ignorar e fingir que não existe, como se fosse um vizinho que se vê passar no corredor mas nem fede nem cheira. Eu interiorizei que o que quer que fosse, tinha sido imaturidade, besteira, bobagem, talvez algum ciuminho e botei de lado.

O post é sobre essa pessoa, que passados quase 6 anos me mandou uma mensagem pedindo desculpa. Mas mais importante ainda, que finalmente explicou o que aconteceu e admitiu que não teve nenhum motivo especifico, foi “apenas” o fato de estar afastada de sua casa, sem emprego há meses, morando num lugar isolado, se sentindo desanimada e sem se reconhecer mais, com energia apagada. Quando eu cheguei toda serelepe, cheia de planos e entusiasmada, o seu lado mais humano se manifestou e ela começou a não me suportar e terminou envolvendo outras pessoas, incluindo seu esposo.

Achei que faz sentido. Na verdade até me identifiquei um pouco. Imagino que o que ela estava sentindo foi mais ou menos o que eu senti quando morei em São Paulo e fiquei sem trabalhar por uns meses numa cidade completamente desconhecida e sem amigos. Embora eu não tenha prejudicado ninguém, fez perfeito sentido que ela se sentisse negativa, pra baixo, irreconhecível. E ás vezes podemos machucar os outros quando estamos assim.

Obviamente ela sentiu alguma culpa todos esses anos. Imagino que deve ter pensando durante muito tempo como falar comigo, como explicar, como dizer. Admiro que tenha conseguido faze-lo. Penso que muita gente não teria nem tem coragem, deixaria passar, esperaria desaparecer no tempo. E depois de tanto tempo, já teria desaparecido, pra mim já tinha desaparecido, ela já estava desculpada.

Esse post é para dizer que afinal aquela pessoa que eu tinha conhecido e me recebeu no aeroporto com um sorriso, é a verdadeira essência e que assim como me ensinou uma lição não tão boa antes, me ensinou uma muito mais importante agora – nunca é tarde para pedir desculpa.


A incrível liberdade de ser chata

Eu sou tão Chata que tem que ser escrito com letra maiúscula porque a letrinha pequena não reflete a realidade. Talvez deva escrever tudo em letra maiúscula – CHATA.

Sou cri-cri com comida – tenho nojo que coloquem a mão na minha comida, não bebo do copo/garrafa/canudo de ninguém, de forma alguma provo comida dos outro no mesmo garfo – colher então nem em sonho!! Não mordo sanduiche de ninguém num canto previamente babado. Tenho, em geral, nojo das pessoas em relação a comida. Mãe, pai, namorado, não importa, na minha comida/bebida ou talheres só eu meto a boca.

Mais chata ainda com coisas humanas – não entendo qual o motivo de literalmente conversar sobre merda com seus amigos, namorado, família, seja quem for? Não seria uma coisa privada? Tá com dor de barriga e o que é que eu tenho a ver com isso? Acha legal que a pessoa na sua frente te imagine se desfazendo em côcô?? Sério??! Visão bonita né? E as outras coisas também – deixe seu catarro e suas outras excreções longe de mim, também não preciso saber nada sobre elas.

A chatice aumenta porque sou desconfiada. Embora seja bastante sociável, não é fácil chegar no meu circulo de amizade e intimidade. Fico logo de pé atrás com as amizades “forçadas”. Sabe aquela pessoa que já começa a frase com “amiga, bla bla bla”. Se você precisa me relembrar que é minha amiga a cada frase, provavelmente não é tão minha amiga assim. Com meus amigos eu não preciso falar docinho nem usar diminutivos, com meus amigos eu falo o que quero sem medir palavras, eu racho a conta sem frescura de quem comeu o que e sei que no dia em que eu tiver lisa alguém vai encher meu copo. Ajudo por instinto e sou ajudada sem ter que pedir nada e sem cobranças. Meus amigos não precisam dizer nem fazer nada, nada mesmo. Com os outros, os conhecidos, sou sociável mas mantenho uma certa distância, a amizade se trata de confiança.

O pior (ou melhor) nisso tudo? Eu absolutamente amo a liberdade de poder ser como sou, de dizer o que eu quero, fazer o que eu quero e de não me incomodar com absolutamente nada do que os outros pensam ou acham.

Quanto mais o tempo passa mais eu gosto de não ter que agradar ninguém, conviver apenas com quem gosto e com quem me faz bem. Quanto mais o tempo passa mais eu tenho certeza que sou do jeito que quero ser, olho em volta e vejo que ser desse jeito me envolveu em amizades verdadeiras e que mesmo com todas as minhas chatices, todo mundo que importa está do meu lado.


O preço mental de ser um empreendedor

Ultimamente ando pensando muito em abrir meu próprio negócio. Sempre tive uma mente empreendedora e idéias nunca me faltaram. Penso que a minha hora está chegando mas falta alguma coisa, ainda não estou 100% preparada. No entanto não me canso de ler, pesquisar e escutar histórias de empreendedores – tanto sobre os que fizeram sucesso como dos que “falharam”.

Não acredito que nenhum tipo de tentativa seja uma falha. O negócio pode não ir para a frente mas a tentativa foi válida – ganho de experiência e aprendizado. No mundo dos negócios, seja de que tipo forem, sempre alguma coisa vai dar errado e haverão momentos de stress, dúvida, dívida, é assim que a coisa anda. Como diria Michael Jordan “sucesso é conseguir ultrapassar todas as vezes que falhamos”.

Li hoje um artigo interessante na Inc.com sobre empreendedores que estiveram em depressão pelos seus negócios e que até hoje, mesmo tendo sucesso, são marcados por esses momentos.

A 12 de Novembro de 2011, o programador e empreendedor de 22 anos Ilya Zhitomirskiy, co-criador do Diaspora, se suicidou. Mais recentemente, em Janeiro deste ano, o fundador do site Ecomom, Jody Sherman, também acabou com a sua vida. Isso levantou sérias discussões sobre o stress e a dificuldade psicológica envolvidas na criação de uma empresa própria. 

O investimento pessoal e até financeiro, muitas vezes causando o endividamento dos fundadores e familiares; o futuro incerto; as longas horas dedicadas, causando na maioria das vezes um afastamento dos amigos e família e até prejudicando a saúde; a insegurança e o medo de falhar; tudo isso não é fácil de aguentar. E algumas vezes se torna impossível de aguentar.

Empresários são pessoas vistas como fortes e seguras. Têm que “vender seu peixe”, acreditar nos seus projetos, passar uma imagem de confiança, força e estabilidade, mesmo quando por trás, investiram tudo o que tinham, em termos pessoais e financeiros e estão com medo de ter sido tudo em vão.

Toby Thomas, Director Executivo da  EnSite Solutions faz uma analogia interessante. Para ele, ser empreendedor é como “ver um homem sentando num leão. Todos olham para o homem e dizem – Como ele é corajoso e forte, está em cima de um leão! E o homem que está sentado pensa – Como é que eu vim parar aqui em cima e como é que eu faço agora para evitar que o leão me devore?“.

Todos os inovadores enfrentam dificuldades, todos, sem excepção.

Richard Branson desistiu da escola aos 15 anos para fundar uma revista com dinheiro emprestado do pai. Ele “falhou” várias vezes, perdeu muito dinheiro, fez muitas loucuras e hoje tem uma nave espacial que vende passeios turísticos para a lua, além da sua companhia aérea, rádio, lojas, etc. Ele também ajuda jovens com idéias interessantes, investindo e dando conselhos, para que cresçam e desenvolvam seus projetos com a Virgin Unite.

Ashish J. Thakkar é do Uganda. A sua família estava no Ruanda na época do genocídio e tiveram que fugir, deixando todos os seus pertences para trás. Viveram num campo de refugiados, passaram muitas dificuldades e ele transformou essas dificuldades em força e recuperou tudo o que tinham e muito mais. Hoje é dono do Mara Group, tem várias empresas e tem também a Mara Foundation, também criada para ajudar jovens investidores, neste caso focada em África.

Bradley Smith é Director Executivo do Rescue One Financial, uma empresa que dá conselhos financeiros para pessoas que têm problemas de endividamento, e as ajuda a saírem de situações difíceis. Em 2008, Smith estava ele mesmo completamente endividado, carro e casa penhorados, jóias e bens vendidos, com uma dívida até com seu pai. Ele e a esposa passaram várias noites sem comer, com insônias e em estado de depressão. E para piorar a situação a sua esposa descobriu que estava grávida do primeiro filho nessa mesma época. Foram meses de muita tensão e stress, até que após quase 1 ano a empresa de Smith começou a dar algum dinheiro. Hoje fatura cerca de 32 milhões de dólares por ano.

Tendo em consideração que três em cada quatro empresas não vão para a frente e são fechadas em menos de dois anos, a probabilidade de não dar certo é assustadora. E nem todas as empresas, de entre as que sucedem, serão a próxima Virgin, ou Mara ou Facebook ou outro desses estrondosos exemplos que tanto gostamos de ver. São a academia de bairro, o restaurante da esquina, a livraria do shopping.

O caminho do empreendedorismo não é fácil porque tudo depende de você. Não é um barco seguro e estável até que você seja um marinheiro de mão cheia. A idéia vem da sua cabeça, o investimento do seu bolso e o trabalho do seu esforço. Mas se você tem um sonho, se acredita nele e tem a energia necessária, corra atrás. Terá momentos difíceis, pode até “falhar” algumas vezes, mas vai dar certo! E não esqueça de pedir ajuda para família, amigos ou até um profissional especializado se sentir que está muito difícil de aguentar a carga, isso não faz de você fraco nem menos competente, apenas humano.


A vida muda, ainda bem

Não é a primeira vez que falo de mudanças mas antes, falei de mudanças de local, hoje, vou falar de mudanças em geral. Porquê mudar? E mudar em quê, o quê?

O que eu mais aprecio quando mudo de lugar, por exemplo, é a chance de mudar como pessoa. Quando vamos para um local novo, conhecemos novas pessoas, habitamos um novo ambiente, temos uma nova chance, de fazer mais e fazer melhor.

É como se com a mudança de local e as roupas mais gastas que deixamos para trás para não levar bagagem extra, ou junto com a mobília que vendemos, deixamos ou podemos deixar um pedaço de nós, que está mais gasta ou não nos agrada o suficiente para levarmos connosco.

Temos a chance de nos reinventar, criar um personagem diferente. Não um personagem de novela, não inventar outra personalidade, mas temos a possibilidade de nos mostrar a um grupo de pessoas novo de uma forma diferente, não nos conhecem, não temos rótulos. Não conhecem o nosso passado, não sabem nada da nossa vida e você pode se apresentar da forma que quiser e criar uma nova imagem de você mesmo.

Quando mudo de país, por exemplo, aproveito a oportunidade para tentar melhorar. Coisas às vezes até simples como por exemplo, falar mais baixo. Eu falava alto e me incomodava até a mim. Hoje falo baixinho? Não, nem tanto, mas na maioria das vezes falo com um tom normal e tento me aperceber do meu tom, apenas aumento o volume quando estou muito entusiasmada, muito irritada ou quando estou bêbada (acontece). Ao me aperceber dos meus erros, defeitos e falhas, tenho mais e melhores chances de as corrigir. Mesmo que não consiga corrigir tudo (ou até mesmo nada) a cem por cento, estou ciente do que sou e isso me dá a chance de melhorar o que sou, não pelos outros, mas porque eu detesto quando escuto pessoas falarem alto demais.

Li um artigo que diz que a felicidade tem a ver com a nossa honra, com a honestidade que temos para connosco e com os outros, com o manter a palavra, nos importarmos com os outros e largarmos mão do que não conseguimos controlar. É melhor ser feliz do que ser triste, quem não concorda? O que é que isso tem a ver com as mudanças? Tudo! Porque não aproveita o dia de hoje e muda de estado de espírito?

O que parece difícil às vezes é mais fácil quando feito. O que te deixaria feliz? O que você precisa mudar na sua vida, em você mesmo para ser feliz? E porquê não o faz então?

Se vai se arrepender ou não – eu te respondo – não vai. Nunca vai. Daqui a vinte anos você vai apenas se arrepender do que não fez, do que não tentou. O que tentou e “falhou”, seja por culpa sua ou dos outros, você vai ver como lições que te fizeram crescer, trouxeram aprendizado e te tornaram mais forte, que te mudaram e te fizeram se conhecer um pouco mais e te tornaram um pouco melhor.

80% das pessoas trabalham com coisas que não gostam no mundo, não achei uma percentagem para as que estão em relacionamentos infelizes, moram em lugares que não gostam ou outras coisas “menores” que não mudam por puro medo de mudança.

Porquê não arriscar? O mundo é pequeno, se chega em qualquer canto facilmente hoje em dia. Existem mais de 7 biliões de pessoas no mundo, muitas delas especiais, como você. Trabalho bom é aquele que te faz ir para casa sorrindo e se sentindo útil, mesmo depois de ter passado 15 horas trabalhando. Porquê não mudar? Se a mudança é necessária em sua vida, mude. Tenha medo, todos temos medo, mas mude com medo mesmo.

O hábito só deve ser mantido para o que nos faz bem. Se habituar a amar e ser amada por uma pessoa que te merece é maravilhoso, se acostumar a ser pontual e a cumprir suas metas num trabalho que te realiza é perfeito, querer ver todo o dia o mar ou aquela montanha ou quem sabe a neve que você tanto ama na sua cidade é fantástico e recomenda-se.

Em pesquisa, li mais dois artigos que dizem que as pessoas mais velhas são mais felizes e que os arrependimentos que as pessoas mais têm antes de morrer são de não ter dito que amam o suficiente, de não ter tentado mais e de terem gasto muito tempo trabalhando em empregos insatisfatórios em vez de com a família.

A felicidade não nasce connosco. Só algumas poucas pessoas têm esse privilégio, de nascer felizes. A felicidade se aprende e é feita de lições, de tentativa e erro, de mudanças até chegarmos ao acerto. Cometa muitos erros, alguns acertos e no meio das atribulações vá trilhando o seu caminho. Sem medo! Com uma pequena mudança vêm várias novas oportunidades.


Olhar próprio

Não tem nada mais difícil do que olharmos para nós mesmos. Mas não nos olharmos no espelho, falo de olharmos nosso comportamento, avaliarmos a nossa personalidade e o nosso carácter. Como é difícil ser imperfeita!! Mais difícil ainda é tentar atingir uma perfeição que é inatingível.

Apesar de ser um exercício doloroso, deveria ser um processo constante na vida de todos. Ninguém se conhece tão bem como você mesmo, se estiver disposto a se analisar.

O processo de melhoramento é constante, pois constante é o nosso crescimento e desenvolvimento. A nossa experiência de vida aumenta a cada segundo e sempre aprendemos algo novo. Tudo o que vem do mundo externo, mexe com o nosso Universo Interno. Temos acções e reacções de acordo com o que acontece nas nossas vidas e até a nossa personalidade se molda ao que vivemos.

Com base na nossa personalidade inata misturada com nossa genética fascinante e essas tais experiências, vamos nos tornando aquilo que somos. É importante sabermos o que somos, sermos sinceros com nós mesmos. Não interessa o que os outros pensam ou falam, não interessam as consequências. Se conheça, se assuma. Se você sabe que é competente, interiorize isso. Se sabe que é mau carácter, esteja consciente disso e decida se quer ou não mudar. Mas seja você mesmo e não se engane.

Somos o que somos. E se algum dia quiser mudar o que você é, tem que saber o que é primeiro.

E saiba que nunca vamos acertar todas as nossas escolhas, os resultados nem sempre serão positivos. Muitas vezes as coisas dão errado. O bom é continuar experimentando. Afinal, da mesma forma que nem sempre dá certo, nem sempre dá errado 😉